No sábado, o diretor do Gabinete de Política Nacional de Controle das Drogas [2] dos EUA, John Walters, em entrevista coletiva em Cabul [3] que os cultivos de papoula do Afeganistão serão fumigados com herbicidas em um esforço para deter o tráfico florescente de ópio e heroína do país. Mas, o governo afegão, que não está entusiasmado com a fumigação, ainda tem que confirmar o pronunciamento de Walters.

O Afeganistão virará um narco-estado a menos que "passos de gigante" sejam dados para refrear a produção, disse Walters. "Não podemos fracassar nesta missão. A renda proveniente da produção da papoula fomenta a insurgência e sobrecarrega as instituições políticas nascentes do Afeganistão com o flagelo da corrupção".
O problema para Walters e os EUA é que embarcar na erradicação geral provavelmente também fomentará a insurgência visto que os agricultores e comerciantes se voltam para o Talibã em busca de proteção contra o governo central e os "infiéis". O Talibã já está fazendo exatamente isso e está usando os lucros do ópio para financiar o seu ressurgimento. Até agora neste ano, 189 soldados da OTAN e dos EUA e uns 4.000 insurgentes foram mortos em combate, de longe o maior número de baixas desde que os EUA derrocaram o Talibã no fim do 2001.
Além do mais, após décadas de guerra, os afegãos estão muito desconfiados de produtos químicos que são jogados de aviões. O próprio Presidente Karzai recusou a fumigação anteriormente, dizendo que os herbicidas provaram ser um grande risco e que podiam contaminar a água e matar os demais cultivos que não o da papoula.
Mas, Walters disse que Karzai concordou com a fumigação, que usará glifosato, o herbicida em Roundup. "Acho que o presidente disse que sim e acho que alguns dos ministros repetiram o sim", disse Walters sem especificar quando começaria a fumigação. "Os pormenores da aplicação não foram decididos ainda, mas sim, a meta é levar a cabo a fumigação no solo".
A Associated Press informou que o Gen. Khodaidad, o vice-ministro de operações antinarcóticos do Afeganistão, disse que o governo ainda não tomara nenhuma decisão. Mas, a AP também citou um funcionário afegão anônimo que disse que o governo estava estudando a questão. "Estamos pensando nisso, estamos examinando. Só estamos tentando ver como seria o procedimento", disse o funcionário.