Phillip S. Smith [2], Escritor/Editor, 29 de Setembro de 2006
O psicólogo e pesquisador da dependência, Mitchell Earleywine, melhorou a nossa compreensão da maconha com o seu livro de 2002 aptamente intitulado "Understanding Marijuana: A New Look at the Scientific Evidence” [Entendendo a Maconha: Um Novo Olhar Sobre as Provas Científicas]. Agora, o professor da Universidade Estadual de Nova Iorque em Albany é o editor de um volume novinho em folha de ensaios dedicados a traçar o perfil dos custos da proibição da maconha e pensar sobre as estratégias que podem desfazê-la. “Pot Politics” [A Política da Maconha] se gaba de aproximadamente 400 páginas de pesquisa e análise de alguns dos melhores pensadores no movimento pró-reforma das políticas de maconha, que vão de ativistas e acadêmicos a economistas e filósofos sociais, e além.

Estive escrevendo a Crônica da Guerra Contra as Drogas durante cinco anos, estive acompanhando o movimento de reforma da legislação sobre a maconha durante décadas antes disso e usualmente sou premido a ouvir ou ler algo sobre as políticas de maconha que não tenha visto antes. Isso não aconteceu com “Pot Politics”. Sim, estava familiarizado com a obra do economista da Universidade de Harvard, Jeffrey Miron, sobre a economia da proibição da maconha, mas não o vira reunir os dados no nível nacional, detalhados estado por estado. De acordo com Miron – e depois de ler o ensaio dele, quem vai debater com ele? --, estamos pagando quase $8 bilhões ao ano para continuarmos a loucura de prender e encarcerar os infratores da legislação antimaconha. Ao mesmo tempo, ao nos recusarmos a fazer a coisa sensata e taxarmos e regularmos as vendas de maconha, estamos perdendo mais de $6 bilhões anualmente em impostos. Com mil demônios, $6 bilhões pagam três semanas da guerra ao Iraque. Ou, podemos encontrar outros usos para eles.
Um ensaio dos integrantes da Faculdade de Serviço Social da Universidade de Washington, Roger Roffman e Anne Nichol, é similarmente fresco – e cheio de idéias espertas que podem fazer o movimento avançar. “O movimento antiproibição incrementará a sua eficácia ao promover as políticas liberalizadas e servirá melhor ao público se a missão do movimento for expandida para incluir a difusão de informações de conscientização precisas, completas e equilibradas sobre a maconha, adequadas a cada uma de suas bases atuais e potenciais”, debateram os dois convincentemente. Se o movimento puder dar informações honestas e úteis sobre as possíveis conseqüências adversas do consumo de maconha aos usuários, usuários em potencial (os jovens), os usuários que começam a ter problemas, os usuários dependentes, os demais interessados e os fornecedores de serviços, a sua credibilidade será incrementada entre o público em geral e preencherá o vácuo de informação sobre a redução de danos dentro da comunidade da maconha.
É uma idéia boa, sólida e innovadora e exatamente do que o nosso movimento precisa. Charles Thomas da Interfaith Drug Policy Initiative [3] (IDPI) nos proporciona mais disso com um par de ensaios que descreve as posições às vezes surpreendentes de várias denominações religiosas sobre a maconha e questões relacionadas e levanta o ponto crucial de que a reforma da legislação acerca da maconha simplesmente não vai acontecer sem trazermos o pessoal religioso – a vasta maioria dos estadunidenses – para o nosso lado. Mas, como a análise detalhada de Thomas das posições das várias denominações sugere, a distância pode não ser tão longínqua assim. Mas, para um movimento que é principalmente secular, se não completamente hostil à religião organizada, pensar em ampliar o nosso sacerdócio para alcançarmos os nossos irmãos nos bancos da igreja é absolutamente necessário.
Há ensaios após ensaios repletos deste tipo de informação e análise provocativos. Sim, alguns dos artigos se parecem mais com relatórios de pesquisa do que com redação persuasiva, mas por trás da prosa ocasionalmente impassível, há dados úteis cuidadosamente avaliados. O rigor acadêmico pode não ser sempre a redação mais cativante, porém tem outras qualidades que o recomendam.
Mas, foi preciso um Allen St. Pierre, diretor executivo da National Organization for the Reform of Marijuana Laws [4] (NORML), para expor laconicamente a futilidade da proibição da maconha. “A falta de lógica das políticas de maconha dos Estados Unidos – a sua solução óbvia – tornou-se assombrosamente clara para mim um dia enquanto esperava na fila por uma cerveja em um concerto”, escreveu no prefácio a este volume. “Estava... comprando uma cerveja para mim e um amigo. Quando dei meia-volta para ir embora, fui abordado por um moleque que claramente era menor de idade para beber álcool. Ele me ofereceu trocar dois baseados pelas minhas duas cervejas. Então, entendi a loucura das políticas de maconha dos Estados Unidos. Eis aqui um moleque que não consegue comprar álcool porque é taxado e regulado, mas que não acha nenhum problema ao comprar maconha – precisamente porque ela não é taxada nem regulada”.
O movimento pró-reforma das políticas de maconha entende isto quase intuitivamente, mas o resto da política ainda não está presente. “Pot Politics” ajudará o movimento a proporcionar os seus melhores argumentos – morais, legais, teológicos, pragmáticos – para fazer com que andemos para frente, será uma revelação para estudantes e recém-chegados ao movimento e até para os grisalhos experientes do movimento, haverá algumas ocasiões em que você vai parar e dizer, “Que coisa, por que nunca pensei nisso antes?” “Pot Politics” é uma adição importante, tanto à base de conhecimento sobre as políticas de maconha e conseqüências dela como ao arsenal do reformador das políticas de drogas.