Segundo um plano proposto por Andy Gilhooley, o novo inspetor, os policiais de Edimburgo na Escócia podiam receber ordens de não prender as pessoas por porte de drogas de menor gravidade no centro da cidade. Mas, se uma legião de críticos se sair com a sua, essa abordagem pragmática pode nunca ver a luz do dia.
Gilhooley, que acabou de se encarregar da equipe de policiamento no centro na estação de West End, informou aos policiais da proposta dele na semana passada. Conforme o plano, as pequenas quantidades de drogas levadas pelas pessoas seriam simplesmente apreendidas. Igualmente, o quadro funcional nos bares e clubes receberia ordens de não ligar para a polícia quando encontrasse drogas, mas de apreendê-las e armazená-las em um recipiente lacrado até que a polícia pudesse recolhê-las posteriormente.
“Se alguém for pego com £2 de uma droga, prender essa pessoa é o melhor emprego do tempo da polícia? É algo que tem acontecido em várias cidades do Reino Unido e agora estamos dando uma olhada nisso. Procuramos a melhor prática de trabalho”, disse Gilhooley em comentários informados por The Scotsman. “Estou interessado em manter a polícia na rua em vez de distraí-la durante várias horas para tratar com alguém que foi pego com uma pequena quantidade de drogas. Temos a responsabilidade de proporcionar uma presença de alta visibilidade. Essa é uma medida em que estamos pensando para vermos se vale a pena pô-la em prática. Vale a pena? A minha resposta pessoal é que sim, vale a pena pô-la em prática”.
Porém, pelo menos um dos policiais a que informou não pensava assim e foi correndo para a imprensa, provocando conseqüentemente uma tormenta de oposição à proposta. “Isto teria em vista impedir que os policiais ficassem atolados durante horas com detenções por delitos de drogas”, disse o oficial anônimo. “mas, isso deixa os oficiais abertos a reclamações de que tiraram as drogas de alguém e ‘cadê elas?’ É uma armadilha para a polícia”, choramingou. “E enquanto se saiba que portar drogas no centro da cidade apenas resultará na apreensão, isso vai causar impacto”.
Depois do informe inicial de The Scotsman, os críticos se amontoaram. Na edição da terça-feira do jornal, o artigo sobre o assunto tinha o seguinte título “Fúria com a sugestão policial de zona de tolerância das drogas para centro da capital” ["Fury At Police Suggestion of Drugs Tolerance Zone for Capital City Center"] e a inquietação por passar as idéias erradas era o tropo do dia.
A medida “passa a idéia errada”, disse Pauline McNeill, porta-voz do Partido Trabalhista sobre a justiça. “Entendo o desejo do oficial de ter mais visibilidade na rua. Isso é o que as pessoas querem. Mas, não deste jeito”.
“Isto passa uma idéia desastrosa”, disse Bill Aitken, porta-voz dos conservadores escoceses para as questões da justiça. “Uma abordagem de tolerância zero precisa ser acompanhada ou os problemas da Escócia com a droga vão ficar ainda piores”.
Até mesmo Neil McKeganey, um pesquisador da Universidade da Glásgua que costuma passar o tempo dele caçando sinais de doença mental entre os fumantes de maconha, interveio. A proposta da polícia era “extraordinária”, disse. “Caso se queira transformar a cidade de Edimburgo em uma feira de drogas, é assim que se faz”.
Contudo, funcionários municipais estavam mais dispostos a pensar um pouco na idéia. Joanna Mowat, a vereadora conservadora que está no conselho da polícia, deu as “boas-vindas cautelosas” à idéia. “Acho que pode ser uma abordagem pragmática”, disse.
Embora o vereador Ian Whyte se dissesse “preocupado” por não haver ouvido falar da idéia antes de ler sobre ela em The Scotsman e predissesse que o plano conseguiria pouco apoio público, estava disposto a considerá-lo. “Ficaria preocupado por pensar que incentivamos o plantel de porta em porta a confiscar drogas quando não sabemos ao certo aonde iriam parar”, disse. “Estou certo de que a maioria dos membros do público também ficaria preocupada por qualquer idéia de zona de tolerância das drogas no centro da cidade. Mas, ao mesmo tempo, queremos sim que mais policiais estejam por aí. Espero que a polícia faça consultas gerais sobre isto e eu gostaria de saber do chefe de polícia a respeito disto na nossa próxima reunião”.
Falta ver se a Polícia de Fronteiras e do Lothian fez o seguimento da proposta, já que a reação tem sido severa até agora. Por volta da terça-feira, o comando já estava dando marcha a ré. “A idéia foi levantada em um informativo policial informal, em que o pessoal foi encorajado pensar em maneiras pelas quais podíamos nos sofisticar mais na nossa abordagem ao policiamento no centro da cidade”, disse um porta-voz do comando. “Foi apenas um ponto de discussão e não temos planos para levarmos esta sugestão adiante. O nosso enfoque continua sendo o de proporcionar os níveis mais altos de policiamento”.
E se isso exigir dar um novo enfoque à atenção da polícia para longe dos infratores da legislação antidrogas de menor gravidade? Fique ligado para descobrir se a polícia escocesa tem a coragem de pelo menos uma das convicções do chefe dela.


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