Sudeste Asiático: A maioria morta na guerra às drogas da Tailândia em 2003 não estava envolvida com as drogas, descobre comissão

Calcula-se que 2.500 pessoas foram mortas durante uma operação de três meses contra as drogas de parte de Thaksin Shinawatra, o primeiro-ministro tailandês, em 2003. Agora, uma meia-dúzia de comissões que investigam tardiamente as matanças informou que até 1.400 dessas vítimas foram mortas e rotuladas de suspeitos de delitos de drogas apesar de não terem vínculo nenhum com elas.

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Thaksin, o sanguinário (por cortesia da Wikimedia)
“As políticas de drogas do governo não eram claras”, disse um representante do Conselho do Gabinete de Controle dos Entorpecentes durante uma reunião no Hotel Chao Phya Park em Bancoc. “Assim, o pessoal da operação fez tudo para conseguir a meta de reduzir o número de traficantes. O número de mortos foi mais alto em fevereiro, quando as políticas foram implementadas pela primeira vez. O número de mortes baixara nos dois meses seguintes”, disse o representante, de acordo com um relato em The Nation.

Desde que Thaksin foi derrocado em um golpe no ano passado, o governo interino tailandês levou adiante uma revisão das políticas de drogas do governo dele e da maneira que foi implementada. Espera-se a avaliação completa até o fim de ano.

Durante a guerra contra as drogas de Thaksin, a polícia atribuiu muitas das matanças a traficantes que supostamente estavam assassinando os parceiros deles para silenciá-los. Mas, as famílias de muitas vítimas protestaram que os parentes delas não tinham nada a ver com as drogas nem com o tráfico.

Embora o novo governo investigue a guerra às drogas de Thaksin, pelo menos um político tailandês veterano está pedindo o mesmo de sempre. Chalerm Yubamrung, visto como o número dois no Partido do Poder do Povo e aspirante confesso ao posto do Ministério do Interior, disse ao Bangkok Post na terça-feira que estava pronto para continuar a senda sanguinária de Thaksin.

“É preciso lidar seriamente com a supressão das drogas, da mesma maneira que o governo Thaksin o fez”, disse Chalerm em uma longa entrevista. “A respeito das matanças extrajudiciais, as pessoas entenderam errado que as autoridades mataram inocentes. Em troca, pode ser que as pessoas foram mortas pelos seus parceiros para interromper as pistas que as autoridades iam perseguir”, argumentou, macaqueando o que a polícia disse na época das matanças.

Embora Chalerm dissesse que os traficantes e consumidores de pouca gravidade devessem ser tratados como pacientes, também afirmou que há uma necessidade urgente de suprimir o tráfico. “A supressão das drogas ilícitas não pode ser tratada gradualmente”, disse. “Precisa de prazos e alvos e também que as autoridades estejam alertas. Mas, quando há erros e dúvidas, é preciso esclarecer as coisas sem demora. É preciso ser estrita, urgente e apressadamente tratada com a provisão de forças-tarefas especiais”.

Quando inquirido à queima-roupa se tinha quaisquer críticas à guerra às drogas de Thaksin, Chalerm não conseguiu encontrar nenhuma. “Não houve nenhuma falha”, disse. “Alguns apenas acusaram o governo de então. Houve um número alto de assassinatos, mas ninguém soube quem levou a cabo as atividades”.

Chalerm gostaria de ser o futuro da Tailândia. Vamos esperar que a sua acolhida da guerra sanguinária às drogas de Thaksin queira dizer que está surdo quando se trata das atuais posturas tailandesas a respeito desse tipo de políticas de drogas.

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