A produção da papoula do mercado negro sob o regime global de proibição das drogas está injetando centenas de milhões de dólares nos cofres do Talibã, disse o comandante estadunidense de mais alta patente no Afeganistão na semana passada. O tráfico de ópio responde por até 40% da receita do Talibã e pode ser uma estimativa conservadora, disse o general Dan McNeill, comandante da Força Internacional de Assistência e Segurança (ISAF, sigla em inglês) liderada pela OTAN.

Em geral, acredita-se que o Talibã, o qual surgiu reavivado nos dois últimos anos, ganhe dinheiro com a economia da papoula taxando agricultores e traficantes. Neste ano, teve a presença mais forte no sudeste do Afeganistão, que também é a região do país em que a produção da papoula mais predomina.
De acordo com o Relatório Mundial sobre as Drogas de 2007 do Escritório da ONU Contra as Drogas e o Crime (UNODC, sigla em inglês), a safra da papoula afegã está estimada em $3 bilhões neste ano, de que cerca de $1 bilhão é pago aos agricultores. Apesar do aumentado dos trabalhos de erradicação neste ano, a produção aumentou 34% em relação ao ano passado. Não se sabe ao certo qual é a renda total proveniente da papoula que chega aos bolsos do Talibã.
Atualmente, o Afeganistão está produzindo 93% da papoula do mundo e isso está solapando tudo o que o governo afegão e seus aliados dos EUA e da OTAN estão tentando realizar ali, disse McNeill. Além de financiar a insurgência e corromper os funcionários do governo, os lucros da papoula afastam as pessoas do desenvolvimento do país. “As pessoas são distraídas do valor da reconstrução por causa do cultivo da papoula e do dinheiro inerente lá dentro”, disse.
Contudo, disse, a ISAF não tem vontade de se envolver mais profundamente na luta contra as drogas no Afeganistão, e, se o fizer, o seu papel deveria ser limitado. “A ISAF não é nem tripulada nem capacitada nem equipada para ser uma força de erradicação, mas há outras maneiras... pelas quais poderíamos ajudar”, acrescentou.
Apesar de tudo, isso não é o que os EUA querem ouvir. Washington está aprontando-se para aumentar o envolvimento na luta contra as drogas e está fazendo pressão, sem sucesso até agora, pela erradicação química aérea da papoula – um cultivo que, de acordo com a ONU, sustenta 14% da população afegã.


Post new comment