Matéria: Prisões por maconha e drogas sofrem alta histórica - de novo

No ano passado, o número de pessoas presas por delitos de maconha nos EUA foi um recorde de 829.625, de acordo com o Relatório Uniforme sobre a Criminalidade do FBI, lançado todos os anos. O dado marca o quarto ano consecutivo e a 11ª vez nos últimos 15 anos que as prisões por causa da maconha sofrem uma alta histórica. Mais de cinco milhões de pessoas foram presas em razão da maconha só desde 2000.

Em conjunto, 1.889.810 pessoas foram presas por delitos de drogas no ano passado - outra alta histórica. Mais de oito em cada dez de todos os presos por drogas foram apenas por porte e 89% de todas as prisões por causa da maconha foram por porte.

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Os aumentos seguidos nas prisões por delitos de drogas aconteceram enquanto os crimes de sangue tinham um aumento de 1,9%, o segundo ano consecutivo de aumentos após uma década de índices de crimes de sangue em baixa. O crime contra o patrimônio caiu 1,9%, refletindo a tendência de queda de 10 anos.

O número total de prisões por maconha nos EUA para 2006 excedeu em muito o número total de prisões nos EUA por todos os crimes de sangue juntos, inclusive assassinato, homicídio, estupro, assalto e agressão com agravantes. O número total de prisões por delitos de drogas foi maior do que para qualquer outra infração.

Nenhuma organização da lei contatada pela Crônica quis comentar o vínculo (ou a sua falta) entre altos níveis seguidos de prisões por delitos de drogas e os crimes de sangue, mas os representantes de grupos que gostariam de ver menos detenções por causa de delitos de drogas foram rápidos em responder aos dados.

"Infelizmente, estes dados não surpreendem tanto porque investimos muito dinheiro em prender os consumidores de drogas", disse Doug McVay, analista de políticas da Common Sense for Drug Policy. "Para isso pagamos a polícia. As agências de segurança têm que produzir contas para justificarem o aumento do financiamento e os usuários de drogas são a saída. Há uma oferta interminável".

"Estes números refutam a falácia comum de que a polícia vai fazer vista grossa quando se tratar do porte pessoal de maconha", disse Scott Morgan da Flex Your Rights, um grupo que instrui os cidadãos a como exercerem o seu direito de ver-se livre de buscas e apreensões arbitrárias. "As posturas liberais a respeito da maconha criaram um falso senso de segurança para muitos, mas, na verdade, é possível se meter em uma grande confusão por isso. Em qualquer encontro com a polícia, a melhor estratégia é recusar as buscas e não responder perguntas comprometedoras", aconselhou.

"A firme escalada das prisões por maconha está acontecendo a despeito da opinião pública", disse Rob Kampia, diretor-executivo do Marijuana Policy Project (MPP, sigla em inglês). "Em comunidades de todo o país, de Denver e Seattle a Eureka Springs no Arkansas e à Comarca de Missoula em Montana, os eleitores aprovaram medidas que dizem que não querem que as prisões por maconha sejam prioridade, contudo, elas bateram um recorde histórico pelo quarto ano consecutivo. Parece que a polícia está seguindo o exemplo do secretário antidrogas da Casa Branca, John Walters, que está mais obcecado com a maconha do que com o público que paga os seus salários", disse.

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foto publicitária da DEA depois da apreensão
"Esses dados ocultam o mito de que a polícia não visa nem prende os infratores da legislação antimaconha de pouca importância", disse Allen St. Pierre, diretor-executivo da National Organization for the Reform of Marijuana Laws (NORML, sigla em inglês), que apontou que, pelos índices atuais, um fumante de maconha é preso a cada 38 segundos nos Estados Unidos. "Este trabalho é um tremendo desperdício de recursos da justiça penal que desvia a atenção do pessoal da lei nos crimes graves e de sangue, inclusive a guerra contra o terrorismo", disse.

McVay apontou os baixos índices de solução das infrações que também estavam contidos no Relatório Uniforme sobre a Criminalidade. Em geral, para os crimes contra o patrimônio, o índice de solução é de apenas 16%, enquanto que, mesmo para assassinato, era de apenas 60%. "Esses números são criminosos", disse McVay. "Há só uma chance em cada seis de que os policiais descubram quem invadiu a sua casa ou roubou o seu carro. Se a polícia não estivesse ocupada prendendo consumidores de drogas, talvez não estivéssemos presenciando índices tão baixos de solução e este aumento nos crimes de sangue".

"Duas outras questões importantes se destacam das prisões por maconha recordistas de hoje", prosseguiu St. Pierre. "Em conjunto, tem havido um enorme incremento de 188% nas prisões por maconha nos últimos 15 anos - contudo, o acesso do público à maconha continua desimpedido em grande parte e o consumo confesso de cânabis não mudou em grande parte. Segundo, o Meio-Oeste dos Estados Unidos é decididamente o viveiro das prisões relacionadas com a maconha com 57% de todas elas. A região dos Estados Unidos com a menor quantidade de detenções relacionadas com a maconha é o Oeste com 30%. Poder-se-ia dizer que este último resultado é um testamento da aprovação de vários esforços estaduais e municipais de descriminalização ao longo dos últimos anos".

"O importante é que estamos desperdiçando bilhões de dólares todos os anos em uma política fracassada", disse Kampia. "Apesar do recorde de prisões, o consumo de maconha continua mais alto do que era há 15 anos, quando as detenções eram menos da metade do nível atual, e a maconha é o cultivo comercial número um nos EUA. Cientificamente, a maconha provou ser muito mais segura do que o álcool e chegou a hora de começar a regularizá-la da mesma maneira que regulamentamos o vinho, a cerveja e o licor".

Permission to Reprint: This article is licensed under a modified Creative Commons Attribution license.
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