Certificação: Casa Branca diz que 20 países são grandes produtores ou traficantes de drogas, mas só dois inimigos políticos são descertificados

Na segunda-feira, em um exercício anual da prerrogativa estadunidense, a Casa Branca lançou a Determinação presidencial sobre os grandes países produtores ou de trânsito de drogas para o ano fiscal 2008 deste ano. Embora o documento listasse 20 países como grandes países produtores ou traficantes de drogas, só dois inimigos políticos dos EUA, Mianmá e Venezuela, foram listados por terem "fracassado manifestamente" em cumprir as exigências dos EUA a respeito de como lutar contra o tráfico de drogas.

Segundo a Lei de Ajuda Externa [US Foreign Assistance Act], os países que não cumprirem com as expectativas estadunidenses na luta contra as drogas são excluídos de muitas formas de ajuda estadunidense. Mas, o governo dos EUA pode prescindir de tal exclusão se achar que lhe interessa fazê-lo.

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folhas de coca secando em um armazém nas redondezas de Shinahota, na Bolívia. O letreiro diz: Coca Poder e Território, Dignidade e Soberania, Congresso Regional 2006-08'' (foto do editor da Crônica, 2007)
O desempenho do país que mais consome drogas no mundo e um de seus principais produtores de maconha, os Estados Unidos, não foi medido no exercício anual de certificação.

Os 20 países na "Lista dos Grandes" são Afeganistão, as Bahamas, Bolívia, Brasil, Colômbia, a República Dominicana, Equador, Guatemala, Haiti, Índia, Jamaica, Laos, México, Mianmá, Nigéria, Paquistão, Panamá, Paraguai, Peru e Venezuela.

Embora o Afeganistão produza 93% da oferta mundial de papoula, o presidente Bush elogiou o presidente afegão Karzai por atacar o narcotráfico com força. Igualmente, apesar do México continuar sendo um grande conduíte para as drogas que vão aos EUA, trabalhos agressivos de combate às drogas de parte do presidente Felipe Calderón o mantiveram nas graças dos EUA.

Os EUA continuam preocupados com a maconha de alta potência vinda do Canadá. O problema, disse Bush, é que "os cultivadores não enfrentam sanções legais consistentemente".

Talvez a maior surpresa no exercício foi a certificação da Bolívia apesar das antigas e vociferantes inquietações estadunidenses com a política "zero cocaína, mas não zero coca" do governo boliviano. Chamando a cooperação boliviana de "desigual", o documento apontou que "o governo boliviano tem cooperado estreitamente na interdição e as operações e apreensões alcançaram níveis recordes. O governo está a caminho de alcançar os 5.600 hectares de erradicação neste ano, ultrapassando a sua meta de 5.000 hectares".

Contudo, o governo Bush estava preocupado que a Bolívia se tenha "concentrado principalmente na interdição, excluindo seus demais complementos essenciais, especialmente a erradicação da coca". Ele convocou a Bolívia a "eliminar a permissividade no cultivo ilícito".

Tiraram da Venezuela, cujo presidente Hugo Chávez é um grande incômodo para Washington, a certificação pelo terceiro ano consecutivo, uma ação que parece manter relação principalmente com a recusa da Venezuela a deixar que a DEA operasse no país, apesar de que Washington também fizesse menção à corrupção e à repressão pouco estrita.

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posto de controle da FELCN (Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico, sigla em espanhol) financiada pelos EUA entre Cochabamba e o Chapare na Bolívia, realizava-se uma busca de cocaína e precursores (Phil Smith, 2007)
O procurador-geral venezuelano, Isaías Rodríguez, denunciou a descertificação estadunidense como parte da relação "psicótica" de Washington com Caracas. Washington mente sobre a Venezuela, de acordo com Rodríguez, porque: "Sabem que estão expostos a que os nossos processos de mudança consigam uma posição que, no fim das contas, promova o multilateralismo e acabe com essa polarização que tem sustentado os EUA enquanto policial universal do mundo".

A descertificação da Venezuela resultaria normalmente em sanções na forma de redução pela metade do apoio ao país. No entanto, citando "interesses nacionais vitais" - a Venezuela é o quarto maior exportador de petróleo para os EUA, respondendo por 1.1 a 1.5 milhão de barris ao dia -, o governo Bush disse que prescindiria das sanções pelo segundo ano.

"A renúncia nos permite prosseguir apoiando algumas de suas instituições democráticas e a sua sociedade", disse a vice-ministra de Relações Exteriores para operações antidrogas, Christy McCampbell, em uma coletiva de imprensa em Washington na segunda-feira.

O único motivo para a renúncia era subverter ainda mais a Venezuela, disse Rodríguez. "Os grupos que recebem o dinheiro sujo dos EUA [fazem isso] para enfrentarem o processo de mudanças e transformações que, soberanamente, a Venezuela tem decidido exercer desde sempre e para sempre", disse.

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