Na sexta-feira passada, uma tentativa de trazer o Kansas às fileiras dos estados com maconha medicinal deu um grande passo para frente enquanto uma das figuras políticas mais conhecidas do estado apareceu em uma coletiva de imprensa no capitólio estadual para anunciar o seu apoio a tal ação. O ex-procurador-geral Robert Stephan, um republicano que esteve no cargo de 1979 a 1995, disse na entrevista coletiva que o estado tem a obrigação de tomar providências para permitir que os seus cidadãos consumam os medicamentos que aliviem o sofrimento.

Stephan citou a sua própria experiência enquanto paciente de câncer e também o sofrimento de outros pacientes para pedir uma lei sobre a maconha medicinal no Kansas. Recusando a oposição ao consumo medicinal de maconha como "remédio mágico" e recontando os prantos de infortúnio que ouvia na sala de oncologia, Stephan disse: "Me parecia incompreensível que existisse tal sofrimento e qualquer droga, inclusive a maconha, deveria estar à venda para assistir o paciente". Stephan disse que o acesso à maconha medicinal não deveria estar limitado aos pacientes de câncer. Ela provou ser útil para glaucoma, AIDS, Esclerose Múltipla e outras doenças, disse.
Stephan se negou a dar uma entrevista à Crônica da Guerra Contra as Drogas. Ele disse que temia que conversar com uma publicação que defende a legalização das drogas prejudicasse a sua causa.
O evento da sexta-feira marcou o debute da Kansas Compassionate Care Coalition, que esteve ocupada assentando as bases para uma campanha que espera que resulte em legislação no ano que vem. Com certeza chamou atenção no Jayhawk State. Nesta semana, uma busca no Google produziu dúzias de menções da entrevista coletiva na mídia local.
E isso é ótimo para a diretora da KSCCC, Laura Green. "A nossa meta é propor um projeto na legislatura do Kansas para proteger os cidadãos gravemente doentes do Kansas contra a detenção e o processo por consumirem a maconha como remédio", disse Green, "e isto iniciará a conversação".
Um estímulo cairia bem na conversação no Território Central. Doze estados com uns 50 milhões de habitantes têm leis sobre a maconha medicinal atualmente, mas nenhum deles fica no Meio-Oeste. Os trabalhos nas legislaturas em estados como Illinois e Minnesota não alcançaram a fruição, enquanto que os eleitores na Dakota do Sul derrotaram por pouco uma iniciativa pró-maconha medicinal no ano passado - o primeiro estado a recusar a maconha medicinal nas urnas.
A KSCCC não vai levar um projeto pré-redigido para apresentar à legislatura, disse Green. "Ainda estamos a cinco meses da sessão legislativa, então ainda não temos um projeto", disse. "Estamos trabalhando com legisladores individuais e tentando construir apoio e consenso. Há muitos modelos diferentes para a maconha medicinal e procuramos um com que os nossos legisladores possam ficar à vontade", disse Green.
Alguns políticos do Kansas foram rápidos em recusar a maconha medicinal depois da entrevista coletiva da sexta-feira passada, mas Green não está preocupada. "Não temos muito apoio político no momento, mas isso é de se esperar", argumentou. "Alguns políticos dizem que não tiveram a oportunidade de saber de suas bases, embora alguns dos que dizem publicamente que são contra ela nos contem algo diferente em privado".
Não são só os legisladores, disse Green, a qual acrescentou que ela e a KSCC farão todo o possível para garantir que os servidores eleitos ouçam sim os seus eleitores que são a favor de um projeto de maconha medicinal. A coalizão tem cerca de um ano de idade e é formada por uns 400 integrantes no momento. "Vamos recorrer o estado recrutando membros - pacientes, médicos, enfermeiras, religiosos - para tentarmos fortalecer os nossos números", disse.
A Associação Estadual das Enfermeiras do Kansas é um alvo fundamental. O influente grupo realizará uma votação sobre a maconha medicinal em outubro, disse Green, apontando que o apoio das enfermeiras será uma ferramenta poderosa.
O grupo também está tentando convencer o clero do Kansas. "Estamos recebendo muito apoio religioso", disse Green, quem, como diretora do Drug Policy Forum do Kansas, passou longas horas mapeando as centenas de congregações do estado como parte da preparação do terreno para os trabalhos reformadores das políticas de drogas. "Enviamos correspondência aos membros do clero na sexta-feira passada e já recebemos 30 respostas. A resposta do clero tem sido mesmo ótima", disse Green.
Se o histórico legislativo em outros estados com maconha medicinal servir de indício, a KSCCC e os partidários dela têm um caminho longo e tortuoso pela frente. A aprovação de uma lei sobre a maconha medicinal parece ser um assunto de três anos ou mais, quase universalmente. Mas, no Kansas, os defensores dos pacientes estiveram assentando as bases durante um ano ou mais e agora surgiram com uma figura política fundamental no estado do lado deles. Se conseguirem adentrar a sessão legislativa em janeiro com algum ímpeto, é bem possível que provoquem um curto-circuito no processo legislativo normal e glacial.


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