Só uma em cada três agências da lei do Kansas está dando informações sobre a discriminação racial à procuradoria-geral do estado, informou o Kansas City Star no sábado. Isto acontece apesar de uma lei sancionada há dois anos pela governadora Kathleen Sebelius (D) que exigia que o fizessem em uma tentativa de acabar com as batidas da polícia somente com base na cor da pele.

"Não há força atrás da lei. Não tem vigor", disse o senador estadual David Haley (D-Cidade do Kansas), que era um defensor inicial do projeto. "Virou algo inofensivo, sem vigor e proverbial".
Tão sem vigor que 284 das 431 entidades da lei do Kansas - ou seja, 66% - não se incomodavam em obedecer. Não é preciso ser assim. No vizinho Missouri, há um índice de 97% de conformidade, também porque os comandos das polícias que não obedecerem podem perder verbas. Em 2005, a Secretaria de Segurança Pública do Missouri reteve mais de $7,000 de 17 agências que não cumpriram a exigência.
Esse problema da lei sobre a discriminação racial do Kansas também não é o único. Também pedia uma Força-Tarefa sobre a Discriminação Racial do Governador, integrada por 15 membros, que devia quantificar o problema e fazer recomendações para abolir a prática. Mas, aparentemente, alguns dos integrantes da força-tarefa não se incomodaram em comparecer de verdade às reuniões mensais, deixando-a sem quorum na última sessão.
Entre os críticos está o co-presidente da força-tarefa. "Até agora, tem havido muito diálogo, mas a verdade é que as pessoas buscam ação", disse o reverendo Allen Smith de Salina. "Estamos esperando alguns resultados reais", disse Smith, pastor da Igreja Baptista Missionária de São João em Salina. "Não acho que a questão vá desaparecer".
O senador Donald Betts (D-Wichita), outro defensor da legislação, disse que o papel da força-tarefa era ainda mais crucial por causa da falta de vigor na parte da lei que lida com a coleta de dados. Ele disse que convocaria a substituição dos integrantes da força-tarefa se algo não acontecesse. "Não demora muito para criar recomendações de coleta de dados", disse. "Chegou a hora de parar de falar e botar as mãos na massa. Chegou a hora de se mexer... Se a força-tarefa não fizer algo, pretendo responsabilizá-la".
A discriminação racial foi identificada como problema no Kansas depois que um estudo lançado em 2003 mostrou que os policiais tinham três vezes mais chances de deter condutores negros e hispânicos do que condutores brancos. Em algumas cidades do Kansas, descobriu-se também que a polícia tinha duas vezes mais chances de deter condutores negros ou pardos.
O projeto de 2005 deveria lidar com este problema, mas sem a cooperação das forças de segurança não o fará. Quanto à força-tarefa, tem até 2009 para terminar o trabalho dela. Mas, pode não durar tanto, especialmente se a polícia não tomar uma atitude e começar a entregar os seus dados.


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