Com torrentes de assassinatos no início deste ano em Newark e Nova Orleans levando as preocupações públicas com os índices crescentes dos delitos de sangue em ambas cidades ao ponto de ebulição, os funcionários estão pedindo reforços nas duas cidades. Mas, as respostas dos funcionários municipais e da polícia em ambos os casos são essencialmente de mais da antiga abordagem aos problemas emaranhados de pobreza urbana, criminalidade, violência e o narcotráfico sob proibição. E se a marcha massiva barulhenta em Nova Orleans servir de indício, talvez alguns cidadãos estejam começando a dizer já chega.

"Está claro que temos um problema", disse Booker enquanto anunciava o programa. "Estes últimos sete dias - não podemos evitá-lo, não podemos desculpar-nos por isso". A sua platéia no pronunciamento incluía altos oficiais da polícia, membros da Divisão Central de Combate aos Entorpecentes (como se chama a nova unidade) e o diretor municipal da Administração de Repressão às Drogas (DEA).
"O importante é isto: Se quisermos reduzir a violência nesta cidade, temos que afetar o narcotráfico", disse o diretor da polícia, Garry McCarthy. Em uma prosa inquietantemente evocadora do discurso do presidente Bush sobre o Iraque na quarta-feira, McCarthy falou de uma "praça de guerra" para varrer os narcotraficantes e o crime relacionado dos bairros da cidade e mantê-los fora. "É importante que peguemos os bandidos antes que se matem uns aos outros e firam outras pessoas nesta cidade", disse o Sr. McCarthy.
Enquanto isso, Nova Orleans, afrontada por nove assassinatos nos primeiros oito dias deste ano, anunciou uma operação contra os crimes de sangue. "Estamos traçando uma linha na areia que diz já chega", disse Nagin na terça-feira. "Vamos pôr todos os nossos recursos para nos concentrarmos no assassinato e nos crimes de sangue". O plano de Nagin inclui a objetivação dos crimes de sangue ao dirigir postos de controle da polícia entre 2:00 e 6:00 da manhã, quando cerca de um terço dos crimes de sangue da cidade acontece. Apesar da decisão da Suprema Corte de 2000 que pronunciou inconstitucionais os postos de controle cujo propósito seja a repressão legal mais do que a segurança pública (por exemplo, checagens de carteiras de motorista, checagens de sobriedade), os funcionários de Nova Orleans declararam abertamente que vão usar os postos de controle para procurarem infrações relacionadas às drogas e ao álcool, assim como para checarem as carteiras de motorista e o seguro.
Em geral, o sistema de justiça penal da cidade continua arruinado após a desgraça do Katrina, com cadeias transbordando e os tribunais restaurados e ainda lidando com os casos pré-Katrina. Desde a tempestade, a Polícia de Nova Orleans encolheu de 1.700 para 1.400, mas a criminalidade esteve em alta apesar de a população da cidade ter encolhido de 455.000 antes da tempestade para 200.000 agora.
Hoje, uns 3.000 moradores de Nova Orleans levaram o seu descontentamento supurante, tanto com a polícia quanto com os criminosos, às ruas. "Policiais Corruptos Não Podem Limpar a Nossa Cidade" [Dirty Cops Can't Clean Up Our City], dizia um cartaz.
A cidade já está sendo patrulhada por uns 300 efetivos da Guarda Nacional e 60 policiais estaduais. Eles vieram no verão passado depois que cinco adolescentes foram mortos em uma noite. Segundo consta, a governadora Kathleen Blanco estava em reuniões na quarta-feira com os oficiais da Guarda Nacional e da polícia estadual para discutir a situação.
A situação é igualmente bizarra, se não igualmente perigosa, do outro lado do rio em Gretna. Ali, na suburbana Paróquia de Jefferson, o Xerife Harry Lee atribui a desaceleração nas matanças ali ao uso de veículos blindados da sua corporação. "Temos o dinheiro e vamos gastá-lo em coisas que nos ajudem a combater este problema", disse Lee na quarta-feira em uma entrevista coletiva em Gretna. Ele também está iniciando uma unidade conhecida pelas varreduras agressivas que teve que dissolver em 2004 após alegações de consumo de esteróides e outras infrações de parte dos seus oficiais.
Veículos blindados, postos de controle, praça de guerra, "revistar e deter". Que guerra é essa mesmo?


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