Um senador colombiano está pedindo um debate urgente sobre as alternativas á proibição das drogas e não é só um senador. O Senador Juan Manuel Galán, do Partido Liberal da oposição, é filho de Luis Carlos Galán, que estava a semanas de alcançar a presidência colombiana quando foi morto pelos assassinos do Cartel de Medellín de Pablo Escobar em 1990.

O porte de drogas já é legal na Colômbia segundo uma decisão da Corte Constitucional da Colômbia, mas o cultivo de plantas das quais se extraem as drogas - a coca, as papoulas e a maconha - é ilegal, assim como o tráfico de drogas. O país recebeu mais de $4 bilhões em auxílio estadunidense - em sua maioria militar - para derrotar o narcotráfico, sem causar um impacto considerável nele. Apesar da tremenda campanha de erradicação com a fumigação de herbicidas que objetivava a coca no ano passado, o governo dos EUA admite que a quantidade de terra dedicada ao cultivo cresceu 26% neste ano.
Embora outros políticos colombianos tenham tocado no assunto antes, Galán traz uma estatura particular por causa da alta estima que os colombianos têm pelo pai dele. Inimigo dos cartéis, Luis Carlos Galán foi morto como parte de uma campanha de Escobar para aterrorizar o establishment político colombiano a fim de impedir a sua extradição para os EUA. O próprio Escobar foi morto em 1993, mas então, dúzias de figuras políticas, juízes, policiais e jornalistas haviam sido mortos pelos assassinos do cartel.
O Galán pai aprovaria a posição do filho dele, disse Juan Manuel Galán. "Acho que duas décadas depois, vendo o impacto violento do narcotráfico, ele não ficaria fechado a novas idéias sobre como dar um golpe final nos narcotraficantes". Embora os Estados Unidos provavelmente se oponham à discussão, disse Galán, "a Colômbia tem a autoridade moral para liderar este debate em escala internacional. Duas décadas metidos na guerra às drogas e continuamos tendo máfias ilegais que espalham a violência por todo o país, continuamos tendo guerrilhas, continuamos tendo paramilitares", disse Galán. "E, apesar de tudo, não há solução real em vista para o problema".
Mas, o governo conservador do presidente Álvaro Uribe é inalteravelmente contrário à legalização e até agora o próprio Partido Liberal de Galán não respaldou o seu pedido de debate no Congresso.


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