O presidente Barack Obama se negou a restituir as preferências tarifárias segundo a Lei de Preferências Tarifárias Andinas (ATPA, na sigla em inglês) à Bolívia ao mencionar a aceitação do governo boliviano do cultivo da coca. A decisão foi anunciada em um relatório publicado na terça-feira pelo gabinete do Representante Comercial dos EUA.

Desde que assumiu a presidência, Morales modificou tremendamente as políticas de drogas bolivianas de “zero coca” para “zero cocaína, mas não zero coca”. A produção de coca tem presenciado ligeiros aumentos anuais durante o governo de Morales, mas a Bolívia continua sendo apenas o terceiro maior produtor de coca e cocaína, perdendo para a Colômbia e o Peru.
“Entre os desafios atuais estão a aceitação e o incentivo explícitos da produção de coca nos escalões mais altos do governo boliviano; a tolerância do governo para com o aumento do cultivo desimpedido de coca e a renda atrativa que decorre disso tanto na região dos Yungas quanto na do Chapare; e o aumento da venda descontrolada de coca a narcotraficantes”, repreendeu o relatório. “A eficiência e o sucesso dos trabalhos de erradicação diminuíram consideravelmente nos últimos anos”.
A tensão entre La Paz e Washington se elevou nos últimos anos porque Morales defendeu o consumo e o cultivo de coca e expulsou diplomatas estadunidenses depois de acusá-los de intervirem nos assuntos internos bolivianos. As estreitas relações da Bolívia com a Venezuela sob a liderança do presidente Hugo Chávez também não melhoraram a situação.
E isto também não ajudará a melhorá-la, não. O presidente Morales reagiu com raiva na quarta-feira ao dizer que a medida contradizia a promessa de Obama de tratar os países latino-americanos como iguais. "Nos EUA, a fisionomia dos governantes mudou, mas não mudaram as políticas do império e quando [Barack Obama] nos dizia em Trinidad e Tobago que não há sócios maiores nem sócios menores, o presidente Obama mentiu para a América Latina”, disse aos repórteres. O relatório, acrescentou, lançou mão de “puras mentiras e insultos” para justificar sua decisão.


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