Resenha da DRCNet: "Fatal Distraction: The War on Drugs in the Age of Islamic Terror," de Arnold Trebach (2006, Unlimited Publishing, 398 pp., $19.95 PB)

Phillip S. Smith, Escritor/Editor, Crônica da Guerra Contra as Drogas

O avô da reforma das políticas de drogas estadunidenses está fazendo das suas de novo. O professor aposentado da Universidade Americana e diretor da Liga Antiproibicionista Internacional, Arnold Trebach, volta à refrega com “Fatal Distraction” [Distração Fatal], e que boa adição ao material o livro é. Embora a obra seja uma retomada da sua contribuição ao debate de 1993 “Legalize It? Debating American Drug Policy” (com James Inciardi), Trebach expandiu bastante esse material e inclui muitas coisas novas. Ao fazer isso, criou o que é essencialmente um detonador do fim da proibição das drogas.

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Não se enganem, a legalização é precisamente o que Trebach quer. Apesar de ele reclamar de ter sido rotulado injustamente de legalizador no início da carreira dele, agora Trebach adota o rótulo. Em “Fatal Distraction”, ele pede a revogação das leis federais sobre as drogas, especialmente a Lei Abrangente de Controle e Prevenção ao Abuso Químico de 1970 [1970 Comprehensive Drug Abuse Prevention and Control Act], e o desmantelamento da DEA. O governo federal sairia do esquema da proibição das drogas e, como aconteceu com o álcool depois da Lei Seca, deixaria que os estados estabelecessem as suas próprias leis, escreve Trebach.

Os grupos de reforma das políticas de drogas que se recusam a acabar com a proibição, que têm medo de dizer a palavra “legalização”, são parte do problema, declara Trebach. Hoje, que os reformadores evitem pedir diretamente a total legalização é para Trebach análogo ao “movimento abolicionista do século XIX trabalhar não para libertar os escravos, mas para lhes dar melhores moradias e melhor saúde”. Como a escravatura, observa Trebach, a proibição das drogas é “uma péssima instituição que precisa ser destruída – não melhorada”.

Trebach passa perto do primeiro terço de “Fatal Distraction” demonstrando de que maneira horrível a proibição das drogas tem fracassado e, enquanto faz isso, leva o leitor para dar uma volta guiada pela guerra às drogas, das ruas sangrentas dos nossos centros velhos às nossas prisões superlotadas, do prejuízo causado às liberdades incrustadas na nossa Constituição às leis inerentemente corruptoras do seqüestro de bens, da crise no alívio da dor aos minicampos de concentração que passam por centros de tratamento químico para os nossos filhos. A tudo isto Trebach traz décadas de experiência, observação e ponderação considerada, e faz um ataque devastador contra a proibição.

Grande parte do argumento de Trebach e muitos dos seus exemplos serão familiares para estudantes sérios das drogas e das políticas de drogas, mas a visão abrangente de Trebach ajuda a esclarecer a massa informe de questões cruzadas ao redor das políticas de drogas. Também é útil que Trebach apresente o seu material em pedaços facilmente digeríveis de três, quatro ou cinco páginas.

Mas, como sugere o subtítulo de “Fatal Distraction” – “The War on Drugs in the Age of Islamic Terror” [A Guerra Contra as Drogas na Era do Terror Islámico] -, Trebach tem mais coisa em mente do que simplesmente acabar com a proibição das drogas. Afetado profundamente pelos ataques de Setembro de 2001 contra Nova Iorque e Washington, Trebach discute que a guerra contra a violência fundamentalista islâmica é tão crítica para o futuro dos Estados Unidos que continuar desviando energia e recursos para a guerra contra as drogas pode ameaçar a nossa própria existência.

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Arnold Trebach
Sem dúvida, as filas de reformadores das políticas de drogas apresentarão reações diferentes a esta afirmação. Sem sombra de dúvida, Trebach tem razão quando diz que a guerra contra as drogas é um desvio e uma distração da guerra contra o terror. Mas, também se poderia discutir que é um desvio e uma distração da necessidade de justiça social ou da luta contra o aquecimento global. Trebach aponta que as habilidades aperfeiçoadas pelos diversos agentes empregados atualmente na repressão às drogas podem ser postas efetivamente a investigar e desenraizar as células terroristas. Isso é verdade, mas também contra todos os tipos de crimes de sangue. O conceito de “guerra” é mais apto quando aplicado a uma tática (o terror) ou a uma ideologia (o fundamentalismo islâmico) do que a uma guerra de substâncias inertes (as drogas)? Este resenhista está nas filas dos não-convencidos nessas questões; e como Trebach mostrou com destreza, a proibição das drogas é um fracasso em seus próprios termos e não requer justaposição com uma ameaça mais recente para ser reconhecível como tal.

Não obstante, embora o tema do combate ao terrorismo islâmico apareça esporadicamente durante todo "Fatal Distraction”, a maior parte desse material aparece dentro de um punhado de capítulos quase no final do livro. Talvez a sua presença faça que algumas pessoas que não tinham pensado nas leis sobre as drogas antes o façam agora. O restante de "Fatal Distraction” – a destilação da obra de uma vida nas trincheiras da reforma da legislação sobre as drogas – torna este um livro que os reformadores resmungões e os recém-chegados deslumbrados à causa quererão ler e absorver.

Permission to Reprint: This article is licensed under a modified Creative Commons Attribution license.
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