Com o Afeganistão dominando a produção de ópio em todo o mundo durante os últimos anos, países como Mianmá (Birmânia) têm visto a queda de sua parte da produção global e têm sido rápidos em se queixar sobre como está lutando a boa luta contra as drogas. Mas, um relatório da Shan Herald Agency for News (SHAN) sugere que os militares de Mianmá só estão suprimindo a produção de ópio entre os grupos com os quais está em conflito (como os Shan) enquanto que protege simultaneamente o cultivo e o tráfico de parte das milícias relacionadas aos grupos étnicos que favorece, como o Wa, Lahu e Kachin.
Citando relatos de testemunhas oculares e suas próprias incursões na área, a SHAN descobriu que tais grupos alcançaram um qüiproquó com os militares: Eles ajudam a junta dominante ao proporcionar-lhe controle sobre os seus respectivos territórios, e, em troca, os militares deixam em paz os seus negócios do ópio. As milícias étnicas também dão benefícios econômicos aos líderes militares, inclusive presentes caros a oficiais e suas esposas.
A produção de ópio em Mianmá esteve caindo durante uma década e encolheu de 1.700 toneladas em 1997 para 680 toneladas no ano passado. A junta militar usou essa queda para buscar o favor das Nações Unidas e dos países ocidentais, que isolaram o regime de Yangon por causa de suas políticas repressivas. Mas, a SHAN reclama que o dado é equívoco. As campanhas duras de erradicação visaram aos inimigos étnicos da junta, como os Shan, enquanto que os grupos étnicos aliados ao regime têm recebido carta branca.
Agora, enquanto os camponeses Shan foram transladados à força ou tiveram seus cultivos destruídos, o cultivo da papoula está se espalhando entre os grupos étnicos favorecidos pelo governo no nordeste, informou a SHAN.


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