Matéria: Nação canábica sai às ruas em primeira semana da Marcha Mundial da Maconha

No fim de semana passado, os aficionados da maconha e defensores da reforma saíram às ruas de mais de cem municípios e cidades pelo mundo afora na fase um da Marcha Mundial da Maconha de todo ano.

Desde então, a marcha, organizada pela primeira vez na Cidade de Nova Iorque nos anos 1970, virou um tremendo evento internacional. Neste ano, umas 263 cidades em cada continente habitado aparecem na lista das que realizam as marchas.

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Colúmbia Britânica, Vancouver (por cortesia de cannabisculture.com)
Normalmente realizado no primeiro fim de semana de maio, este ano o evento foi dividido em dois fins de semana, sobretudo para dar lugar aos europeus, pois as celebrações do Dia do Trabalhador na Europa são levadas muito mais a sério do que nos EUA (onde o 1º de maio não é o Dia do Trabalhador, mas o Dia Nacional da Lei). A Finlândia foi a exceção por lá, sendo que a marcha em Helsinque no fim de semana passado atraiu pelo menos 300 pessoas e os eventos em Tampere e Turku cerca de 200 cada.

Porém, deste lado do oceano, os manifestantes saíram às ruas de cidades como Portland e Filadélfia, que chamaram cerca de mil pessoas, duas das maiores multidões do dia. Em São Francisco, onde 15.000 pessoas se reuniram no ano passado, o tamanho da multidão – se não do moral – foi desencorajado por torós torrenciais durante o dia inteiro.

As marchas também chegaram ao centro dos Estados Unidos, embora em números menores. Em Champaign no Illinois, centenas marcharam, enquanto em Cincinnati uma multidão parecida se reuniu. Em Ogden no Utah, 30 defensores solitários da cânabis se congregaram, enquanto em Palm Springs na Califórnia houve algumas dezenas de manifestantes.

As coisas estavam um pouquinho mais animadas no Canadá, onde umas 15.000 pessoas se reuniram em Toronto e mais mil em Vancouver. Até mesmo Edmonton, que fica muito longe nas planícies nortistas de Alberta, atraiu várias centenas de participantes.

“Foi fantástico, muita gente compareceu aqui em Vancouver”, disse Jeremiah Vandermeer, editor de produção da revista Cannabis Culture de Marc Emery, um dos focos de organização das marchas. “Foi uma marcha ótima. Os liberais estavam realizando a convenção deles por aqui, então marchamos com o dito de que precisavam parar o C-15, o projeto de lei conservador que imporia sentenças mínimas obrigatórias até mesmo por cultivar uma planta”.

Quando lhe perguntaram por que as cidades canadenses pareciam poder gerar um comparecimento maior do que as estadunidenses, Vandermeer fez várias colocações. “O Canadá possui uma cultura canábica muito forte, contamos com muitos organizadores que estiveram trabalhando muito mesmo durante anos, inclusive Marc Emery, lógico, e nossos jornais são muito receptivos”, disse. “Eles promovem as marchas mesmo antes de acontecerem e isso ajuda bastante”.

Embora os EUA tenham elementos receptivos para com a cânabis e seus organizadores veteranos também, geralmente não conta com uma imprensa disposta a proporcionar publicidade gratuita de antemão às marchas. Com a exceção dos dois grupos mencionados abaixo, as marchas também não conseguem qualquer apoio significativo das organizações pró-reforma das políticas de drogas. Além disso, diferentemente do que acontece em certas cidades européias que atraem multidões enormes, os eventos nos EUA não atraíram patrocinadores dispostos a investir dinheiro a fim de divulgarem as marchas.

Em algumas cidades, os eventos são organizados por ativistas independentes. Em outras, as sucursais locais de grupos como a National Association for the Reform of Marijuana Laws (NORML, na sigla em inglês) e o Students for Sensible Drug Policy (SSDP, na sigla em inglês) assumem a dianteira. Porém, em todos os casos, o tamanho e o sucesso dos eventos são determinados, sobretudo, pelos recursos e o talento da região.

“Talvez o número de participantes fosse maior com um pouco de organização legítima com antecedência, fundos e promoção, mas, do jeito que existem hoje, a maior parte destes esforços estadunidenses está frouxamente organizada na melhor das hipóteses”, disse Paul Armentano da NORML. “Além disso, talvez em termos culturais os estadunidenses não tenham tantas chances de sair às ‘ruas’ como seus homólogos em outros países como a Venezuela e a Grécia”.

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cartaz da MMM 2009 (por cortesia da MMM)
A Cures Not Wars é o foco primordial de organização da Marcha Mundial da Maconha nos EUA. Ela faz o que pode, mas seus recursos são limitados.

“Nós da Cures Not Wars proporcionamos suporte material e logístico às marchas”, disse Douglas Greene, um dos co-fundadores do grupo, junto com Dana Beal, o homem que esteve presente no início. “Mas, esse suporte se limita basicamente a proporcionar cartazes e listas de contato, coisas assim. Não temos dinheiro a distribuir para fazermos que estas marchas aconteçam, então elas são financiadas antes de tudo pelo que os militantes de base da região conseguem fazer”, disse Greene.

“Acho que os eventos do 4/20 [20/04] duas semanas antes das marchas acabam drenando energia e recursos das marchas”, disse Greene. “A cobertura da imprensa ajuda, mas, diferentemente do Canadá, não recebemos cobertura prévia por aqui em nenhuma cidade em que possa pensar”.

Greene apontou algumas cidades européias, como Roma, Atenas, Londres e Berlim, que presenciam multidões de milhares ou até dezenas de milhares com regularidade. “Em Berlim, onde os eventos se equiparam em tamanho ao Comício pela Liberdade de Boston, conta com pelo menos 10 grandes patrocinadores. Não conseguimos isso nos EUA”, apontou.

Greene também disse que talvez os reformadores das políticas de drogas devam repensar seu desdém pelas marchas. “Elas viraram uma expressão da comunidade canábica e é uma pena que não tenham se transformado em algo que possa fazer convergir a comunidade pró-reforma das políticas de drogas em geral”, argumentou. “Aqui na Cidade de Nova Iorque, houve muitos garotos que gritavam: ‘Fumamos maconha e gostamos bastante disso!’ [We smoke pot and we like it a lot!]. Embora isso não vá mudar a lei necessariamente, ao mesmo tempo sempre há pessoas que se aproximam de nós por estarem mesmo interessadas em aprender e mudar a legislação. Estas marchas vão acontecer não importa o que os reformadores pensem; parece que seria uma idéia se conseguíssemos trabalhar juntos, atrair algumas pessoas sérias e tentar conscientizar as que comparecerem”.

Pode ser que as marchas não sejam prudentes, que haja camisetas demais com tie-dye, cabelo demais e um número incômodo de pessoas de aparência jovem que fumam em público, mas as marchas não vão sumir, não, e elas são uma expressão autêntica da cultura canábica. Quem sabe os diferentes elementos do movimento achem uma maneira de se aproximar.

Permission to Reprint: This article is licensed under a modified Creative Commons Attribution license.
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