Canadá: Dois terços dos eleitores da Colúmbia Britânica são a favor de legalizar a maconha, descobre pesquisa

Uma pesquisa Angus Reid Strategies com adultos da Colúmbia Britânica publicada na segunda-feira descobriu que 65% eram a favor de legalizar a maconha como forma de reduzir a violência das quadrilhas, enquanto somente 35% eram a favor de aumentar as penas para o tráfico de maconha. A pesquisa é feita ao passo que o governo federal conservador trata de aumentar as sanções contra os crimes de tráfico de maconha e as eleições provinciais na CB se aproximam.

Dado um contexto de uma recente violência das quadrilhas altamente divulgada em Vancouver, a Angus Reid moldou a pergunta de sua pesquisa para refletir esse receio. Os pesquisadores perguntaram aos pesquisados: “O setor ilegal da maconha mantém relação com boa parte da violência das quadrilhas nas ruas da CB. Alguns dizem que a violência seria reduzida se a maconha fosse legalizada, enquanto outros dizem que a violência seria reduzida se as penas contra o tráfico de maconha fossem aumentadas consideravelmente. Qual das seguintes declarações mais se aproxima de seu ponto de vista?”

O nível mais alto de apoio à legalização estava entre os defensores do Partido Verde e do Novo Partido Democrático, que, no geral, ficam atrás dos liberais e conservadores. Entre os verdes, o apoio à legalização foi de 77%; de 64% entre os defensores do NDP.

Embora os entrevistados fossem a favor da legalização em detrimento de mais criminalização por uma margem de quase dois para um, sua resposta à pergunta sobre a imposição frouxa da legislação contra as “drogas leves” ficou dividida mais igualmente. Uma maioria diminuta, 51%, disse que impor leis como as que proíbem o porte de maconha fazia criminosos de cidadãos honestos, enquanto que 49% disseram que não impor essas leis permite que os criminosos saiam impune, o que poderia resultar em violência.

No início desta década, o Canadá era visto como baluarte do progresso na reforma da legislação sobre a maconha. Virou o primeiro país a legalizar a maconha medicinal em 2002 e, dois anos depois, o governo liberal de Paul Martin voltou a apresentar um projeto de lei que teria eliminado as sanções penais para o porte de uma quantidade inferior a 15 gramas de maconha. Mas tal projeto não foi submetido a votação, os liberais deixaram o poder e o governo atual de Stephen Harper se opõe dogmaticamente à reforma na legislação sobre a maconha.

Os líderes do NDP da CB e dos liberais concordam com tal oposição. No início deste mês, Gordon Campbell, líder liberal da CB, disse que era contra a descriminalização da maconha ao acrescentar: “Precisamos ouvir os policiais sobre como lidar com isto”. Carole James, dirigente do NDP da CB, também deu uma de derrotista com a declaração: “É uma questão federal, como todos nós sabemos. Não é algo que as províncias individuais possam examinar”.

Com o sentimento pró-legalização com aproximadamente dois terços do eleitorado, talvez os políticos contrários devam pensá-lo duas vezes. Vencer eleições é difícil quando uma pessoa vai de encontro à maioria a respeito de uma questão de alta visibilidade. E a política da maconha possui muita visibilidade na CB.

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