América Latina: Violência da proibição no México chama atenção de Washington e novas iniciativas são tramitadas

Quando os legisladores em Washington conseguiram se livrar do escândalo dos bônus da AIG, nesta semana, boa parte de sua atenção ficou centrada no México. Como a violência ligada à proibição não dá mostras de arrefecer – mais de mil pessoas já foram mortas neste ano -, nesta semana os legisladores celebraram uma série de audiências para avaliarem a ameaça e ver o que o governo Obama planeja fazer a respeito.

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cartaz da DEA em espanhol que trata de cartel mexicano (2007)
Em uma audiência conjunta da Câmara do Senado sobre a Fiscalização Internacional dos Entorpecentes e um subcomitê do Senado sobre o Judiciário, na terça-feira, o senador Dick Durbin (D-IL) advertiu que os cartéis mexicanos representavam uma ameaça direta para os EUA. Ao aludir a um relatório recente do Ministério da Justiça dos EUA, disse que marcam presença em pelo menos 230 cidades estadunidenses.

Porém, Durbin também disse que parte da culpa reside no norte da fronteira. “A demanda insaciável de drogas ilícitas nos Estados Unidos mantém os cartéis mexicanos em funcionamento todo dia”, disse.

“Os fatos sobre o que acontece no México são desconcertantes e representam uma enorme ameaça para os Estados Unidos”, concordou o senador Arlen Specter da Pensilvânia, o republicano de destaque no Comitê sobre o Judiciário.

Em vista de exigências cada vez mais estridentes do Congresso dos EUA para que “faça alguma coisa”, o general Gene Renuart da Aeronáutica estadunidense, quem supervisiona a fronteira na qualidade de chefe do Comando do Norte, disse ao Comitê do Senado sobre as Forças Armadas dos EUA que o governo estava trabalhando em um plano integrado para lidar com a violência aparentemente interminável, boa parte da qual tem lugar nos municípios fronteiriços de Tijuana, Juárez e as cidades mexicanas do Vale do Baixo Rio Bravo.

Ele disse que as possíveis medidas incluiriam trabalhos para apertar o cerco contra o fluxo de armas em direção ao México, o endurecimento da segurança na fronteira e um aumento do apoio aos militares mexicanos. “Acho que teremos bons planos como conseqüência deste trabalho nesta semana”, disse.

Renuart também deu a entender que o novo plano pode implicar mais soldados presentes na região fronteiriça. “Com certeza, pode haver uma necessidade de mais força de trabalho”, disse. “Quer seja mais propício para, quer mais bem proporcionado pela Guarda Nacional ou por mais agências da lei, acho que esta equipe de planejamento nos levará a isso”, disse ao comitê.

O presidente mexicano Felipe Calderón dispersou uns 50.000 efetivos em sua guerra contra os cartéis, inclusive uns 8.500 que ocuparam Juárez e se encarregaram dos deveres policiais por lá na semana passada. Porém, a ofensiva de dois anos de Calderón só resultou em cada vez mais violência brutal e exemplar. Mais de 2.000 pessoas morreram na guerra dos cartéis em 2007, mais de 5.000 no ano passado e o ritmo das matanças este ano deve produzir números parecidos.

Mas, Anthony Plácido, diretor de inteligência da DEA, disse ao comitê conjunto que a intensificação da violência era uma “tentativa desesperada” dos traficantes de drogas para rechaçar a ofensiva do governo. “A DEA avalia que a alta na violência é motivada em grande medida pela ofensiva do Governo do México contra estes narcotraficantes que, em troca, vêem-se lutando por uma maior participação em um mercado em vias de encolhimento”, disse.

Com a aprovação da Iniciativa Mérida no ano passado, os EUA prometeram uns US$ 1.4 bilhão em auxílio antidroga ao México ao longo dos próximos três anos. A primeira parcela dessa ajuda já foi entregue e proporciona ao México helicópteros e equipamentos sofisticados de vigilância.

Na quarta-feira, na primeira ação concreta da semana com o fito de tomar medidas enérgicas na fronteira, o Ministério da Segurança Nacional dos EUA anunciou que ia mandar 50 agentes da Agência de Álcool, Tabaco e Armas de Fogo à fronteira para tentarem reduzir o fluxo de armas em direção ao sul.

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