Eleições 2006: Defensores da Iniciativa de Maconha Medicinal de Dakota do Sul Prometem Tentar Novamente Após Derrota Apertada

Em um comparecimento surpreendentemente forte, uma iniciativa que teria permitido que os pacientes seriamente doentes consumissem maconha recebeu quase metade dos votos no estado socialmente conservador de Dakota do Sul no Alto Meio-Oeste. Mas, não pôde se superar, perdendo por uma margem de 48% a 52%. Assim, Dakota do Sul merece a distinção de ser o único estado em que os eleitores recusaram a maconha medicinal nas urnas.

Os defensores do esforço, embora decepcionados, não estão intimidados e já anunciaram que tentarão de novo em 2008 ou 2010. Mas, o estado continuará sendo um osso duro de roer.

Uma clara ilustração do clima política no estado quando se trata da maconha era o fato de que a South Dakotans for Medical Marijuana, os organizadores da iniciativa, só conseguiram que dois pacientes estivessem dispostos a se pronunciarem sobre o consumo de maconha deles. Mas, talvez isso não devesse ser surpresa em um estado em que a “ingestão” de maconha é uma infração criminal pela qual as pessoas são rotineiramente condenadas à cadeia e um reconhecimento público do próprio consumo pode virar a base de um mandado de busca que exija uma amostra de urina, que então seria usada para encontrar com acusações de ingestão.

A medida conseguiu o apoio da maioria na Comarca de Minnehaha (52%), onde quase um quarto dos eleitores do estado mora, nas redondezas das cidades universitárias da Comarca de Brookings (52%) e da Comarca de Clay (62%), na Comarca de Union (51%), lar da Gateway Computers, na Comarca de Black Hills’ Lawrence (52%) e em um punhado de outras comarcas pouco povoadas de West River (Oeste do Rio Missouri). Mas, na maior parte das comarcas rurais de East River (Leste do Rio Missouri) do estado, os eleitores recusaram a medida, às vezes por pouco, mas ocasionalmente em grandes números, e até a Comarca de Pennington, o lar de Rapid City, a segunda maior cidade do estado, votou por pouco contra ela (51%).

Embora os defensores da iniciativa administrassem uma campanha relativamente tímida – as urnas do estado estiveram cheias de assuntos polêmicos, inclusive o aborto e uma emenda constitucional que proíbe a união civil entre homossexuais – os opositores liderados pelo Procurador-Geral republicano de Dakota do Sul, Larry Long, reuniram a lei contra a medida. Long também chamou os figurões de Washington, DC, trazendo o Subsecretário do Gabinete de Política Nacional de Controle das Drogas, Scott Burns, ao estado para uma série de entrevistas coletivas altamente publicadas denunciando a medida como “golpe” e “embuste”.

O próprio secretário antidrogas John Walters tratou da iniciativa estadual em uma entrevista coletiva na sexta-feira antes das eleições. “Esta proposta é um golpe que está sendo feito contra os cidadãos de Dakota do Sul por pessoas que querem legalizar as drogas”, advertiu Walters. “A maconha é uma droga muito mais perigosa do que muitos estadunidenses percebem. Agora, há mais adolescentes em tratamento por dependência da maconha do que por todas as outras drogas ilegais combinadas. É uma infelicidade que as pessoas que estiveram tentando legalizar esta droga durante tantos anos estejam explorando o sofrimento de pessoas doentes de verdade para avançar os seus fins políticos”.

A intervenção da lei de Dakota do Sul e dos guerreiros antidrogas federais foi fundamental em impedir a aprovação da medida, disse a porta-voz da iniciativa e paciente de maconha medicinal, Valerie Hanna, uma veterana da Guerra do Golfo que usa a droga para aliviar os sintomas de distúrbios neurológicos que sofre como resultado do serviço dela. “Que o Procurador-Geral Long tenha trazido o pessoal do secretário antidrogas nos prejudicou muito”, disse ela à Crônica da Guerra Contra as Drogas. “Eles disseram coisas como ter um fornecedor só significava alguém com quem se drogar, o que não acontece”.

Para o movimento nacional de reforma das políticas de maconha, a derrota em Dakota do Sul – a sua primeira nas pesquisas – foi um duro golpe, mas os líderes do movimento prometeram tentar novamente. “Sabíamos desde as primeiras pesquisas que seria uma luta complicada, particularmente em eleições cheias de questões polêmicas e com a Casa Branca e todas as autoridades do estado, inclusive o procurador-geral, contra nós”, disse Rob Kampia, diretor executivo do Marijuana Policy Project, o grupo nacional que respaldou o esforço de Dakota do Sul. “O fato de que tenhamos chegado tão perto contra uma oposição tão poderosa é impressionante. Trabalhando com os ativistas locais que começaram este esforço, planejamos tentar de novo com outra iniciativa de maconha medicinal em Dakota do Sul em Novembro de 2008 ou 2010”, anunciou.

“Todos os dias, a ciência continua provando o valor medicinal da maconha”, prosseguiu Kampia. “Só nos dois últimos meses vimos provas de benefícios impressionantes contra a hepatite C e até o potencial para combater o mal de Alzheimer. É trágico que pacientes corajosos como Val Hannah, que se pronunciaram em prol da iniciativa, continuem enfrentando detenção e cadeia por tentarem simplesmente preservar a saúde deles, mas no longo prazo, a ciência e bom senso triunfarão sobre a ignorância e o medo”.

“O resultado de Dakota do Sul, embora desanimador, não faz nada para mudar o fato de que, de acordo com pesquisas nacionais, cerca de oito em cada dez estadunidenses apóiam o consumo de cannabis medicinal aprovado pelos médicos”, disse Paul Armentano, analista sênior de políticas da National Organization for the Reform of Marijuana Laws.

As pessoas doentes como Hannah continuarão correndo risco de detenção e reclusão por usarem maconha para aliviar os sintomas delas, mas ela se recusou a ficar triste com o resultado. “Sinto orgulho do que fizemos. Chegamos muito perto e isto significa que as pessoas estão acordando aqui. Os cidadãos de Dakota do Sul que nos apoiaram fizeram uma escolha sábia. Da próxima vez, trabalharemos para divulgar a consciência e o conhecimento ao público com mais eficácia para que possam tomar uma decisão mais informada”, disse. “Podemos aprová-la em Dakota do Sul, talvez através de outra iniciativa eleitoral em 2008. Continuo esperançosa”, acrescentou.

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Interesse coletivo maior

Todas as plantas com propriedades terapêuticas passam por detecção e separação dos ativos medicinais, não entendo porque não fazem logo isso com a cannabis!!! Como foi feito com o ópio!!! Ninguém fuma ópio medicinal, mas usam a codeína, a morfina etc. Tem que parar com essa confusão, o "baseado" não é medicinal, é tóxico. O que é medicinal são algumas poucas substâncias encontradas na cannabis, que devem ser isoladas e remédios criados!!!

20/12/2007 - 15:17:51
Fumaça da maconha tem mais tóxicos que a de tabaco

Um estudo divulgado nesta semana traz mais uma evidência de que maconha não é inofensiva, em relação ao cigarro. Pesquisadores canadenses compararam a fumaça da Cannabis com a de tabaco e descobriram que a primeira contém mais substâncias tóxicas, algumas delas carcinogênicas.

Os cientistas, liderados por David Moir, do Programa de Controle de Tabaco, encontraram na fumaça inalada de maconha uma quantia de amônia igual à de 20 cigarros. Os níveis de cianeto de hidrogênio e de óxido nítrico --que afetam coração e pulmões- apareceram em concentrações três a cinco vezes superiores.

Os pesquisadores se motivaram a levantar esses dados depois de perceberem que a porcentagem de jovens entre 15 e 24 anos do país que fumam maconha diária ou ocasionalmente vem crescendo nos últimos anos, enquanto a dos que fumam cigarro vem caindo.

Em parte, isso pode ocorrer porque os malefícios do tabaco são muito mais bem conhecidos e divulgados --como o fato de conter 4.000 substâncias químicas, sendo 50 delas consideradas cancerígenas. "Havia uma falta de trabalhos que examinassem comparativamente os dois produtos", escreveu a equipe na revista "Chemical Research Toxicology".

Ao analisarem a fumaça de cigarro e de maconha tanto do ponto de vista químico quanto toxicológico, eles encontraram no segundo pelo menos 20 substâncias tóxicas e concluíram que a maconha é tão ou mais prejudicial à saúde que o cigarro. Para isso eles usaram uma espécie de robô-fumante, que inalava a fumaça. O material era examinado a seguir.

Os pesquisadores também testaram a fumaça que sai diretamente da brasa --e é inalada por quem está por perto do fumante por exemplo. Nela também foram encontradas amônia, e outras substâncias.

Seus níveis tóxicos, no entanto, ficaram abaixo do detectado na fumaça inalada, porque nesta o calor do cigarro interfere nas reações químicas.

"A confirmação da presença de conhecidos carcinogênicos e outros produtos químicos ligados a doenças respiratórias tanto na fumaça inalada quanto na que sai da brasa dos cigarros de maconha é uma importante informação para a saúde pública", concluíram os autores.

Fonte: Uol Ciência e Saúde

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