Pela primeira vez, um projeto de lei sobre a maconha medicinal venceu uma votação em um comitê da Câmara do Illinois. Na quarta-feira, o Comitê de Serviços Humanos da Câmara votou por quatro a três para tramitar o HB 2514, a Lei do Programa-Piloto de Consumo Compassivo de Cânabis Medicinal [Compassionate Use of Medical Cannabis Pilot Program Act].
Segundo o projeto, as pessoas que padecerem de uma doença debilitante e forem diagnosticadas assim por um médico e seus cuidadores receberiam uma cédula de identidade e seriam cadastrados em um registro administrado pela Secretaria da Saúde Pública. Cada paciente pode portar até 56 gramas de maconha consumível e sete plantas. Se for promulgada, a lei do Illinois sobre a maconha medicinal expiraria depois de três anos e teria de ser promulgada de novo.
Um projeto paralelo, o SB 1381, está tramitando no Senado estadual. É defendido pelo senador Bill Haine (D-Alton), ex-procurador do estado, e tem uma audiência marcada na terça-feira que vem.
A votação da quarta-feira no comitê da Câmara aconteceu depois de declarações públicas de defensores e opositores do projeto. A paciente consumidora de maconha medicinal Lucie MacFarlane, 46, de Joliet, disse ao comitê que consome a erva para aliviar as dores constantes que sofre pela neurofibromatose e uma cirurgia que deixou sua espinha fundida.
“Os médicos precisam de todos os remédios seguros e eficazes que estiverem disponíveis quando tratarem pacientes com doenças graves como câncer, HIV/AIDS e esclerose múltipla”, disse o Dr. Jay Riseman, um médico de Springfield que prestou depoimentos perante o comitê. “Vi que a maconha medicinal funcionou para os pacientes quando mais nada deu certo e deveria poder recomendá-la a meus pacientes sem deixá-los vulneráveis à detenção e até à prisão”.
O deputado Lou Lang (D-Skokie), patrocinador do projeto da Câmara, foi talvez o defensor mais fervoroso do projeto. “As pessoas não conseguem encontrar alívio em nenhum outro lugar, salvo medicamentos totalmente sedativos e debilitantes que impossibilitam que agüentem a vida”, disse ao apontar MacFarlane e outros pacientes. “Provas convincentes mostram que isto é uma ajuda muito significativa para eles em suas vidas e não entendo por que alguém seria contra isto”, disse Lang.
Porém, Lang entendia a oposição bem demais e culpou os políticos que fazem pose e procuram qualquer pretexto para derrubá-lo. Ao tratar de temores levantados pela experiência californiana – um sistema muito mais aberto do que o concebido em seu projeto -, Lang disse que a redação da lei era estrita. “É um projeto muito controlado. Não permite que ninguém porte mais do que sete plantas”, disse Lang. “Segundo, temos de poder confiar na comunidade da medicina”. Disse que há pouco clamor quando os médicos prescrevem quantidades enormes de morfina, Vicodin [paracetamol + hidrocodona] ou codeína para aliviar as dores. “Somente quando se começa a falar da cânabis as pessoas ficam falando disso, porque procuram um pretexto para serem contra o projeto”, disse.


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