Uma iniciativa de Nevada (Questão 7) que legalizaria o porte de até trinta gramas de maconha e estipularia a sua venda e taxação reguladas perdeu com 44% dos votos, enquanto que uma iniciativa do Colorado (Medida 44) que teria legalizado o porte de até trinta gramas perdeu com 40% dos votos. Ambas sofreram a oposição amarga da lei local e da burocracia federal da guerra às drogas. Em ambos os casos, os organizadores estão prometendo voltar e tentar novamente.
O resultado de Nevada é uma melhoria de 5% em relação a 2002, quando uma iniciativa similar conseguiu 39% do voto popular. No Colorado, onde a legalização nunca estivera nas urnas estaduais, quatro em cada dez eleitores estavam preparados para votar a favor dela da primeira vez.
Em ambos os estados, os ativistas antidrogas uniram forças com a lei para virar o jogo. Em Nevada, onde o jogo e a prostituição são atividades legais na maioria das comarcas, o Committee to Keep Nevada Respectable de nome irônico recorreu a mal-entendidos da medida para insistir que impediria os empregadores de realizarem exames toxicológicos, bem como debateu que permitir a venda regulada de maconha aumentaria de alguma forma o consumo de maconha entre os jovens. O Committee consistia em uma série de coalizões comunitárias antidrogas, as Câmaras de Comércio de Reno e Las Vegas, a Associação Protetora da Polícia de Las Vegas, a Conferência da Polícia e dos Xerifes do Sul do Nevada e a Associação de Xerifes e Comissários de Nevada.
No Colorado, a oposição organizada foi encabeçada pelo Governador Bill Owens e o Procurador-Geral John Suthers, que realizaram uma entrevista coletiva tardia para denunciar a medida (e que foram rudemente surpreendidos por uma vigorosa contramanifestação de defensores da Medida 44 durante essa entrevista coletiva). Em ambos os estados, representantes do Gabinete de Política Nacional de Controle das Drogas apareceram para interferir nas medidas eleitorais estaduais.
Embora os organizadores da iniciativa em ambos os estados professassem decepção com os resultados, prometeram continuar lutando. “Hoje, um número recorde de eleitores em Nevada pediram um fim à proibição da maconha, a votação mais alta até agora para acabar a proibição”, disse Rob Kampia, diretor executivo do Marijuana Policy Project (MPP), o grupo progenitor do Committee to Regulate and Control Marijuana, a entidade de Nevada que liderou a campanha. “O ímpeto está conosco. As mudanças sociais importantes nunca acontecem com facilidade, mas a mudança nas nossas leis fracassadas acerca da maconha está ocorrendo porque a proibição só causa dano. A proibição financia os criminosos e garante que os adolescentes tenham acesso fácil à maconha, e os eleitores começaram a perceber as mentiras do secretário antidrogas. Fizemos um tremendo progresso desde a nossa derrota por 39% a 61% a respeito de uma medida eleitoral similar em Nevada há quatro anos. Planejamos tentar novamente com outra iniciativa de maconha em Nevada em Novembro de 2008 ou 2010”.
“Não estamos decepcionados mesmo com os resultados da eleição de hoje”, disse o diretor de campanha da SAFER Colorado, Mason Tvert. “Esta campanha, depois da nossa iniciativa bem-sucedida de legalização em Denver no ano passado, foi só um passo em uma batalha de cinco a dez anos para legalizar a maconha no Colorado. Agora, vemos que uma série de comarcas apóia mudar a lei estadual a respeito do porte adulto de maconha para que possam ter o direito de estabelecer as suas próprias políticas municipais”.
Sem financiamento exterior considerável, a SAFER Colorado conseguiu alcançar centenas de milhares de cidadãos do Colorado com uma campanha “álcool vs. maconha” que claramente repercutiu junto aos eleitores. “Uma campanha de baixo orçamento não pode superar 70 anos de mentiras e propaganda do governo”, disse Tvert. “Se fosse possível legalizar a maconha com uma campanha de $60.000 em um estado com quase três milhões de eleitores, teria sido feito há muito tempo. Mas, a mensagem está no Colorado e continuaremos conscientizando o público enquanto pressionamos os funcionários do governo e os líderes comunitários para explicar por que acham que os adultos devem ser punidos por consumirem uma substância que é menos nociva do que o álcool”.
Apesar de as eleições perdidas nunca serem populares, outros reformadores importantes das políticas de drogas viram o lado positivo. “Apesar de terem perdido, centenas de milhares de pessoas em dois estados ainda votaram na legalização da maconha”, disse Bill Piper, diretor de assuntos nacionais da Drug Policy Alliance. “Acho que é muito respeitável, especialmente em Nevada, onde a medida teve longo alcance”.
A Questão 7 em Nevada não só teria legalizado o porte de até trinta gramas por adultos, também teria estabelecido um sistema de distribuição regulada da maconha sancionado pelo estado. A Medida 44 do Colorado, por outro lado, era uma simples iniciativa de legalização do porte de maconha que teria protegido os adultos que portassem até trinta gramas.
“Estes resultados, embora decepcionantes, eram esperados”, disse Allen St. Pierre, diretor executivo da National Organization for the Reform of Marijuana Laws (NORML), que viajou ao Colorado nos dias finais da campanha. “Apesar destes resultados, os adultos em Colorado e Nevada continuam vivendo sob leis estaduais que autorizam o consumo medicinal de maconha e permitem que os adultos portem e consumam pequenas quantidades de maconha sem a ameaça de reclusão ou de antecedentes criminais”.
Isso é bom, mas não é suficiente, disse Tvert da SAFER Colorado. “Haverá um prosseguimento do esforço no Colorado”, disse ele à Crônica. “Lutávamos contra 70 anos de proibição da maconha, 70 anos de mentiras e distorções sobre a maconha. Esta foi a primeira vez que os eleitores do Colorado tiveram que confrontar a proibição da maconha e a medida conseguiu mais votos que o candidato republicano ao governo. Recebemos a mensagem e chocamos o Colorado, mesmo sem nenhum dinheiro e o que algumas pessoas chamariam de campanha irresponsável”.
Quase sete décadas depois que a proibição nacional da maconha foi promulgada, até agora nenhum estado votou em acabar com ela no nível estadual. Mas, as forças da reforma estão chegando cada vez mais perto da vitória. Será 2008 o começo do fim? Fique ligado.


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