Um projeto que exigiria que os pacientes consumidores de maconha medicinal cadastrados que se envolverem em um acidente de trânsito ou forem parados por uma infração de trânsito se submetam a uma análise de sangue por THC ou sofram o cancelamento de sua cédula de inscrição para a maconha medicinal conseguiu uma audiência na Assembléia do Montana na terça-feira. Ele não foi bem recebido não. Uma série de pessoas fez fila para denunciá-lo e só duas falaram em seu favor.
O Projeto 212 do Senado também instaura níveis específicos de THC no plasma do sangue que criariam uma “inferência refutável” de que o condutor está com suas faculdades psicomotoras prejudicadas. De acordo com o projeto, se for detectada uma quantidade inferior a um nanograma de THC por mililitro, não se considera que o condutor esteja com suas faculdades psicomotoras prejudicadas. Se forem detectados entre um e cinco nanogramas e álcool, considera-se que o condutor está com suas faculdades psicomotoras prejudicadas. Se somente houver uma quantidade superior a cinco nanogramas de THC, considera-se que o condutor está com suas faculdades psicomotoras prejudicadas.
Os pacientes condutores que estiverem determinados a estar com suas faculdades psicomotoras prejudicadas não somente perderiam sua inscrição para consumir maconha medicinal, mas também ficariam sujeitos a processo por dirigirem intoxicados.
Porém, de acordo com estudos acadêmicos avaliados por pares que foram citados pelo Marijuana Policy Project, os condutores com menos de cinco nanogramas de THC em seu sangue não têm um risco maior de sofrer ou causar um acidente do que os condutores que não consumiram drogas. Somente quando os níveis de THC passam dos cinco ou 10 nanogramas o risco de acidente começa a superar o dos condutores sóbrios.
O projeto é a criação do senador estadual Verdell Jackson (R-Kalispell), quem disse na audiência: “Acho que isto é um problema e precisamos examinar as drogas e o álcool também”.
Porém, curiosamente para alguém que professasse estar preocupado com a segurança nas estradas, Jackson não fez menção a aplicar sanções parecidas nas pessoas que recebem medicamentos receitados, como o Oxycontin [oxicodona], Valium [diazepam] ou um montão de outras substâncias que possivelmente possam prejudicar as faculdades psicomotoras.
Na audiência da terça-feira no Comitê do Senado sobre o Judiciário, os defensores da maconha medicinal argumentaram que não há exames precisos para o detrimento psicomotor causado pela maconha, que a maconha permanece nos metabolismos dos usuários durante dias (muito tempo depois que qualquer prejuízo tenha desaparecido) e que não havia provas de que Montana tivesse um problema com os pacientes de maconha medicinal nas estradas.
“Não ouvi falar de nenhuma acusação, nem sequer de um paciente inscrito do Montana que dirija intoxicado”, disse Tom Daubert de Helena, diretor do Patients and Families United, o maior grupo de apoio à maconha medicinal do estado. “Não há base científica para os padrões de prejuízo psicomotor no projeto”, diz. “É quase certo que os que se medicam com maconha reprovariam no exame”.
Os eleitores de Montana aprovaram a maconha medicinal em 2004. Desde então, mais de 1.200 pessoas se inscreveram no cadastro estadual a fim de participarem do programa.


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