Legisladores e porta-vozes do setor de viagens na ilha de Saipan nas Ilhas Marianas do Norte estão furiosos com a DEA por um incidente do dia 04 de outubro em que a agência realizou uma revista corporal em massa com passageiros que chegavam em um jato fretado da China. Funcionários turísticos pediram desculpas à China pelo episódio, o Congresso local aprovou uma resolução que condena as revistas e, na última repercussão, o governo das Marianas retirou sua política da força-tarefa da DEA na região.

O incidente do dia 04 de outubro aconteceu de madrugada quando um vôo fretado chegou ao Aeroporto Internacional de Saipan. Tomando providências com base em uma pista sobre a presença de drogas no vôo, a DEA submeteu 147 dos 187 passageiros que chegavam – todos cidadãos chineses – a revistas corporais intensas. Os agentes forçaram os passageiros a entrar em uma saleta, daí os obrigaram a tirar suas roupas para que os revistassem. Não se achou droga nenhuma, embora a DEA informasse que apreendera alguns artigos vegetais e animais contrabandeados.
Muitos dos passageiros manifestaram indignação pelo tratamento recebido e deram queixa disso a seu governo. Também prometeram nunca retornar à CNMI de novo. Isso fez com que os funcionários da região brigassem para remediar o problema.
“Quero informá-los que meu governo está extremamente descontente com a maneira por que esta atividade foi conduzida”, disse o governador Benigno Fitial em uma una carta do dia 10 de outubro à empresa turística e ao hotel envolvidos na transação que trouxe os turistas chineses a Saipan. “Não aprovamos isso e não apoiamos tal tratamento das pessoas que visitam nossas ilhas”.
No mesmo dia, Perry Tenorio, diretor-geral da Autoridade de Visitantes das Marianas, enviou uma carta parecida ao consulado chinês em Los Ângeles. “Esperamos que este incidente lamentável e isolado não altere sua afeição pela CNMI e seu povo”, disse Tenorio.
No fim da semana passada, ainda soltando fumaça pelas ações e a indiferença da DEA, a Câmara dos Deputados da CNMI aprovou uma resolução de teor enérgico exigindo que o Ministério da Justiça dos EUA investigasse a revisa em massa. Ela também pediu que o ministério informasse à China que a DEA – não as alfândegas nem os funcionários de imigração da região – foi a responsável pelas revistas.
“A Câmara dos Deputados da Comunidade das Ilhas Marianas do Norte vem por meio desta pedir uma investigação completa e total das atividades e causas dessas ativistas resultantes em um episódio no Aeroporto Internacional Francisco C. Ada de Saipan que envergonhou e degradou os honoráveis convidados das Ilhas Marianas do Norte e que pode ter violado seus direitos civis”, declarou a resolução.
“Estas revistas e o tratamento repugnante dos passageiros submetidos a elas causaram extrema vergonha, mal-estar, medo e uma sensação de violação perversa nos turistas afetados e demais convidados da Comunidade”, dizia a resolução. Também chamou as revistas de “severas e irracionais” e disse que haviam feito um mal irreparável “à reputação da Comunidade e às psiques das vítimas destes episódio degradante”.
E essa é a versão amainada. Depois que Diego Benavente, presidente do Comitê de Relações Federais, expressou inquietação pelo texto ríspido, a Câmara votou na eliminação da disposição da resolução que continha a frase “múltiplas carícias das regiões íntimas dos passageiros”.
A desavença prosseguiu nesta semana. Na segunda-feira, a Secretaria da Segurança Pública da CNMI anunciou que ia tirar quatro policiais de Saipan da força-tarefa da DEA nas Marianas do Norte. Isso acontece dias depois que a CNMI retirou seis outros policiais e um funcionário das alfândegas da força-tarefa. Essa retirada ficará em vigor até que a DEA dê uma explicação completa do incidente no dia 04 de outubro, disseram funcionários do governo.
A esta altura, parece que o governo da CNMI não se importa muito com o impacto que a retirava vai causar sobre o trabalho da DEA. Quando indagado se a retirada ia dificultar as operações da DEA, um porta-voz da polícia respondeu apenas: “Vamos ver só”.


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