Matéria: Nada de intervalo pós-eleitoral no Colorado – Ativistas assistem a seminário sobre a maconha

As eleições nacionais estadunidenses deste ano acabaram, mas os reformadores das políticas de maconha no Colorado não vão descansar, não. Somente 11 dias depois que o conservador Estado do Colorado virou liberal de maneira dramática, no sábado passado de manhã, quase 300 ativistas e aspirantes a ativista se reuniram na Universidade Regis em Denver para o Seminário e Acampamento de Reforma das Políticas de Maconha do Colorado 2008, que foi projetado para deixá-los mais eficazes e alhanar terreno para mais reformas na legislação sobre a maconha no Estado das Montanhas Rochosas.

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Há muita coisa em que se fundar. O Colorado tem sido um estado com maconha medicinal desde 2001 e um estado com descriminalização desde os anos 1970. Ultimamente, ativistas como Mason Tvert da SAFER (Safer Alternatives for Enjoyable Recreation, na sigla em inglês) e Brian Vicente da Sensible Colorado estiveram construindo um movimento impressionante para um novo conjunto de reformas. Em 2005, a SAFER venceu uma votação em Denver para legalizar o porte de maconha e, depois que ignoraram isso, voltou em 2007 com uma iniciativa ganhadora de menor prioridade da força pública na mesma cidade.

Mas, embora Denver pareça estar pronta para adotar a erva legal, o resto do estado ainda não chegou a isso, sendo que uma iniciativa pró-legalização em todo o estado perdeu em 2006 com 41% dos votos. Grande parte do enfoque do acampamento era garantir que, da próxima vez que uma iniciativa pró-legalização apareça nas urnas, passe à ofensiva.

Para isso, a SAFER e a Sensible Colorado convocaram uma série de painéis para o seminário de um dia inteiro. Começando com “As leis do Colorado sobre a maconha: Passado, presente e futuro” e “Todos podem concordar: O Colorado precisa da reforma”, “Pressão cidadã: Alcançando e influenciando servidores eleitores”, “A mídia: Como ela funciona, como podemos utilizá-la e por que isso importa” e culminando com “Agindo: Construindo o apoio e mantendo o ímpeto”, os organizadores criaram um prato verdadeiramente cheinho para os ativistas reunidos. Os painéis contaram com cientistas, analistas liberais e conservadores de políticas públicas, representantes da mídia e ativistas calejados.

Uma grande atração para o acampamento foi Paul Weissmann (D-Louisville), líder da maioria na Câmara, quem explicou a necessidade e a maneira de pressionar servidores eleitores para trazer a mudança. “Francamente, ouvidos uns aos outros a menos que haja um esforço do pessoal para entrar em contato conosco”, disse Weissmann. É mais eficaz construir relações de longo prazo com os servidores eleitos do que fazer uma doação de campanha, disse. “As pessoas de que mais me lembro não são gente que fez um cheque, mas gente que foi bater às portas”, disse.

“A temporada de campanha de 2008 acabou de terminar para a maioria”, disse Mason Tvert, diretor-executivo da SAFER. “Porém, para o número cada vez maior de cidadãos do Colorado comprometidos com reformar as leis estaduais e municipais sobre a maconha, a temporada de campanha de 2009 já começou. Está claro que nosso primeiro objetivo – refutar o mito de que a maconha desmotiva as pessoas – já foi alcançado.

O acampamento satisfez uma necessidade identificável entre os ativistas do Colorado, disse Tvert. Enquanto grupos que haviam liderado campanhas e granjeado notoriedade considerável, a responsabilidade de lidar com essa carência recaiu sobre a SAFER e a Sensible Colorado, disse.

“Por causa de todo o trabalho que fizemos ao redor do estado e toda a cobertura midiática que recebemos, freqüentemente temos notícias de pessoas que querem se envolver; há algumas todas as semanas”, explicou Tvert. “Queríamos encontrar coisas produtivas para que este pessoal fizesse e queríamos criar um ambiente mais solidário para as medidas eleitorais, então identificamos regiões em que as pessoas podem causar impacto e desenvolvemos materiais para que possam fazer coisas com mais eficácia e entender todos os porquês”, explicou. “O acampamento reuniu todos para lhes os materiais e um pouco de treinamento. O propósito dos painéis era lhes dar informações em primeira mão que os ajudarão a ser ativistas melhores e mais eficazes”, acrescentou.

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“Não nos demos conta de que ia conseguir tanto interesse”, disse um Tvert claramente satisfeito. “Recebemos gente do estado todo. Havia estudantes, havia profissionais, havia aposentados. O pessoal da maconha medicinal estava lá, mas não se tratava da maconha medicinal; tratava-se da reforma das políticas de maconha em geral”.

“O acampamento foi um sucesso sem par”, declarou Brian Vicente da Sensible Colorado. “Achávamos que conseguiríamos atrair 75 pessoas em uma manhã de sábado, mas acho que na verdade inscrevemos 283. Isso mostra que há um interesse esmagador nesta questão no Colorado. Muita gente veio de Front Range porque é aí que mora a maioria das pessoas, mas também recebemos dezenas de pessoas de regiões consideradas menos amigáveis, como Colorado Springs e West Slope”.

Isso é importante porque, mesmo em ambientes hostis, os votos importam, disse. “Seja em algum lugar amigável, como Boulder ou Fort Collins, seja em um lugar pouco amistoso, se pudermos conseguir até mesmo dois pontos percentuais, isso pode fazer a diferença em uma votação estadual”, disse.

“Foi realmente inspirador ver todos se concentrando no mesmo objetivo, mesmo o pessoal que não fuma maconha necessariamente, mas que o entende como questão de direitos civis e quer ajudar nossas vítimas”, disse Andrew Stephens, um estudante de 20 anos da Faculdade de Fort Lewis em Durango, uma viagem de sete horas pelas montanhas vindo de Denver. “Fiquei indignado com as operações federais contra os dispensários da Califórnia – isso me motivou a me envolver -, daí comecei uma sucursal da NORML neste ano para trabalhar com outras organizações e sucursais para mudar as políticas de maconha”.

Stephens disse que ia aplicar parte do que aprendeu no acampamento quando voltasse para casa em Durango. “Estou interessado em aprovar uma iniciativa de menor prioridade da força pública em Durango como em Denver”, disse. “Isso daria à força pública mais recursos para gastar e tempo para passar com assuntos mais importantes e levantar um ônus sobre os universitários que sofrem a perseguição da polícia”, acrescentou, praticando seus temas de conversa.

A palestrante Pam Clifton, diretora de relacionamento da Colorado Criminal Justice Reform Coalition, também chamou o evento de sucesso. “A verdade é que muitos foram, as pessoas ficaram empolgadas mesmo e não se levantaram de suas cadeiras”, disse Clifton. “Foi um evento ótimo, muito diverso, e havia muita energia no ar”.

Para Clifton, a reforma da legislação sobre a maconha faz parte de uma agenda geral para a justiça penal. “Tratamos de trabalhar para parar o aprisionamento em massa no Colorado e, em realidade, a reincidência e as políticas de drogas propulsam boa parte dele, então grande parte de nossa luta trata de parar com o combate às drogas”, disse. “Queremos que as pessoas unam os pontos entre como uma condenação por maconha pode afetar o resto de suas vidas e mudar essa legislação, e, como fazemos muito ativismo de base, este evento nos deu a oportunidade de entrar em contato com estas pessoas”.

O interesse no Acampamento da Maconha do fim de semana passado pode refletir não só os anos de ativismo de caras como Tvert, Vicente e seus aliados, mas também mudar a demografia e a conduta política do Colorado. Pela primeira vez em décadas, o Colorado votou em um presidenciável democrata neste ano.

“Com certeza, vêem-se mais progressistas e democratas chegando ao poder por aqui e isso é um bom sinal para a reforma das políticas de maconha”, disse Vicente da Sensible Colorado. “Além disso, o Colorado tinha bases fortíssimas que ajudaram Obama a vencer um estado tradicionalmente republicano, então isso fala muito em favor do poder popular. E o fato de que quase 300 pessoas compareceram em um sábado de manhã uma semana depois das eleições para falarem da política de reforma da legislação sobre a maconha também é um sinal muito bom”.

“O ambiente mudou bastante mesmo”, disse Clifton. “Atualmente, estamos muito liberais. No ano passado, a Assembléia aprovou uma lei que cria uma comissão do governo para a justiça penal. Tem de reduzir a população prisional neste estado, então examinou a reincidência, a seguir certos temas da justiça juvenil e daí a condenação. Mas, medidas para reduzir a população prisional são as mais fáceis de alcançar. Acho que somente depois disso teremos uma verdadeira oportunidade de fazer mudanças em torno à maconha e demais leis sobre as drogas”.

Uma parte do que transforma a reforma da legislação sobre maconha em uma prioridade relativamente mais baixa é que tais leis já são bastante liberais para o porte simples no Colorado, disse Clifton. Conforme a atual legislação estadual, o porte de quantidade inferior a 28 gramas já está descriminalizado com uma sentença máxima de multa de $100.

Porém, só porque o Colorado já tem leis relativamente progressistas sobre a maconha não é motivo para reduzir a velocidade, disse Tvert. “Sejam mais iniciativas municipais, seja outra em todo o estado em 2010 ou 2012, queremos ativar estas pessoas em suas comunidades para que difundam nossa mensagem”, disse Tvert. “Fizemos 25.000 cartões de negócios de quatro páginas com nossa mensagem de que a maconha é mais segura do que o álcool em uma delas, a de que deveria ser tratada assim na seguinte, como entrar em contato com os servidores eleitores na terceira, e, enfim, como nos contatar”.

Embora a Assembléia e outros segmentos da comunidade pró-reforma da justiça penal possam estar com sua atenção concentrada em outra parte, um exército de ativistas atormenta as ruas de Denver e Boulder, os planaltos da região leste do Colorado e os picos nevosos das Rochosas, alhanando terreno para ir além.

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