Ao passo que a guerra contra os cartéis do narcotráfico do presidente mexicano Felipe Calderón se aproxima da marca dos dois anos e a violência não dá mostras de se arrefecer, uma nova pesquisa da BBC World Service mostra que os mexicanos estão cada vez mais inquietos e preocupados com o grave efeito que o narcotráfico e o combate às drogas estão surtindo sobre suas vidas cotidianas. Aproximadamente 6.000 pessoas, inclusive centenas de policiais e soldados, foram mortas desde que Calderón alistou as Forças Armadas na luta contra as drogas em 2006 e os números são mais altos neste ano do que no passado.

Mas, em um sinal de que as quimeras a respeito das políticas de drogas não se limitavam ao norte da fronteira entre EUA e México, 58% disseram acreditar que era possível vencer a guerra contra as drogas. E uma cifra ainda mais alta – 68% - aprovava o emprego das Forças Armadas para combater os traficantes que Calderón adotou. Contudo, 80% disseram que o governo deveria pensar em políticas alternativas.
O apoio ao combate às drogas é propulsado pelo medo e pelas inquietações com a segurança pública. Cerca de metade (42%) dos entrevistados disseram se sentir menos seguros do que no ano passado, enquanto somente 10% disseram se sentir mais seguros. Mais de um terço (37%) dos entrevistados disse que a influência dos cartéis os fizera pensar em migrar. O tráfico ficou por cima das preocupações com a economia, a criminalidade em geral, a educação e a desigualdade social, sendo que 20% dos entrevistados o listou como inquietação principal. Só a preocupação com a corrupção, listada por 28% enquanto inquietação principal, ganhou dele e a corrupção e o narcotráfico no mercado negro estão inextricavelmente entrelaçados.
Com umas 3.000 mortes pelo combate às drogas informadas até este momento do ano, ou uma média de mais de 300 ao mês, a violência ligada à proibição no México alcança patamares geralmente relacionados com zonas de guerra. Para fazer uma comparação, a Iraq Body Count, uma organização sem fins lucrativos que monitora a violência no Iraque, situou o número de mortos civis em julho em 460 por lá. A estimativa do número de mortes de civis no Afeganistão durante os primeiro oito meses deste ano feito pela Human Rights Watch é de 540.


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