O senador Barack Obama, candidato à presidência dos EUA pelo Partido Democrata, confessou pública e notoriamente ter consumido drogas quando era adolescente em suas memórias publicadas. Agora, como o senador John McCain, candidato republicano à presidência, anunciou a escolha da governadora alasquense Sarah Palin para ser sua companheiro de chapa enquanto vice-presidente, os dois grandes partidos confessaram ter ex-usuários de drogas na chapa.
Palin fumou maconha, disse ela ao Anchorage Daily News em uma entrevista de 2006. Eis os parágrafos relevantes:
Palin não é a favor da legalização da maconha por se preocupar com a idéia que isso passaria a seus quatro filhos. Mas, quando se trata de tomar medidas enérgicas contra as drogas, diz que as metanfetaminas são a maior ameaça e que deveriam ter prioridade mais alta.
Palin disse que fumou maconha – lembrem-se, era legal conforme a legislação estadual, disse, mesmo se for ilegal segundo a lei federal estadunidense -, mas diz que não gostou e que não a fuma agora.
“Não posso dar uma de Bill Clinton e dizer que nunca inalei”.
Os informes dos comentários de Palin provocaram uma reação imediata do Marijuana Policy Project, cujo diretor-executivo, Rob Kampia, fez um apelo aos republicanos para que respeitem os direitos dos estados quando se trata das políticas de maconha. “Não é grande coisa que tenha fumado maconha, mas o importante é que ache que os 100 milhões de estadunidenses que consumiram maconha, inclusive ela mesma, deveriam estar presos. Isso não seria bom para seus filhos”, disse.
“Talvez o mais importante seja que o Alasca é um dos 12 estados que permitem o consumo medicinal de maconha e um em cada cinco estadunidenses mora atualmente nesses estados. A mão dura do governo federal atropelou a autoridade estadual e tentou interferir na implementação dessas leis sobre a maconha medicinal de âmbito estadual. A chapa do Partido Republicano deveria adotar o consagrado princípio republicano do controle local ao prometer acabar com a guerra do governo federal contra as leis sensatas acerca da maconha medicinal tanto nos estados conservadores quanto nos progressistas”, prosseguiu Kampia.
Embora ex-consumidores de drogas confessos estejam agora nas duas chapas de grandes partidos, até agora as políticas de drogas e sua reforma não aparecem em nenhuma parte da plataforma de qualquer um dos partidos nem nos eventos de campanha dos nominados. Caso se queira discutir a reforma das políticas de drogas nas eleições presidenciais de 2008, é preciso ir falar com os verdes, Nader ou os libertarianos.
(Este artigo foi publicado pela ala lobista da StoptheDrugWar.org, a Drug Reform Coordination Network ou Rede Coordenadora da Reforma das Políticas de Drogas, que também compartilha os custos de manter esta página. A Fundação DRCNet não assume posturas a respeito de candidatos a cargos públicos em conformidade com a seção 501(c)(3) do Código Tributário dos Estados Unidos e não remunera matérias que possam ser interpretadas ou mal interpretadas nesse sentido.)


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