Editorial: A guerra à coca é fútil, enquanto na legalização das drogas todos saem ganhando

David Borden, diretor-executivo

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David Borden
Um artigo de 05 de agosto na Revista Time "Bolivia's Surprising Anti-Drug Success" [O surpreendente sucesso antidroga da Bolívia], observou que o cultivo legal da coca e o tráfico ilícito de cocaína não são a mesma coisa. Apesar do aumento de tolerância pelo cultivo de coca de parte do governo boliviano sob o presidente Evo Morales – quem veio das próprias fileiras da comunidade cocaleira para virar o primeiro presidente indígena da Bolívia -, a repórter Jean Friedman-Rudovsky indica que as interceptações de coca cultivada ilicitamente e destinada aos laboratórios de cocaína subiram 30% em relação a 2007 e 11 toneladas de pasta básica foram interceptados só nesta parte do ano, mais do que em 2005 inteiro (um ano antes que Morales tomasse posse), de acordo com a Força Nacional de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN, na sigla em espanhol).

A questão é importante. A coca é uma planta cultivada há gerações na Bolívia e em outros países andinos e ela é necessária em termos econômicos. Líderes cocaleiros da Bolívia e do Peru falaram com eloqüência de sua situação, de suas necessidades – e de seus direitos – em nossa conferência latino-americana reunida no México em 2003. Chá, doces e até sabão de coca entregues por participantes da conferência levantaram a questão diretamente – coca não é cocaína, apesar da origem da cocaína na folha de coca.

Infelizmente, o artigo parou por aí e não fez a pergunta lógica seguinte: O aumento de realizações da Bolívia na fiscalização das drogas vai reduzir mesmo a oferta mundial de cocaína?

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folhas de coca secam no acostamento, região boliviana do Chapare (foto de Phil Smith, editor da Crônica, 2007)
Se a história e a economia servirem de guia, a resposta é “não”. De 1995 a 2000, por exemplo, o cultivo boliviano de coca caiu de 51.000 hectares para apenas 8.000, de acordo com as estimativas do Departamento de Estado dos EUA. O cultivo passou de 117.000 para 41.000 no vizinho Peru ao mesmo tempo. Mas, o cultivo colombiano de coca subiu de 54.000 para 139.000 hectares – o que não apaga completamente as reduções bolivianas e peruanas, mas faz isso sim em boa parte. Enquanto isso, os preços da cocaína no varejo nos EUA, ajustados para pureza e inflação, são apenas um quinto do que eram em 1981, o ano em que começou o programa de rastreamento de preços da DEA.

Para que a mudança no cultivo de coca de um país para o outro seja muito maior do que a mudança total, a demanda tem de ser o fator dominante em funcionamento, não a repressão. A queda tão incrível dos preços da cocaína também mostra que a erradicação, a interdição e o policiamento doméstico juntos nem sequer causando impacto estão – os abastecedores simplesmente antecipam as perdas enviando mais, e têm dinheiro para isso.

Os agricultores bolivianos merecem um tratamento melhor do que o assédio pelo cultivo tradicional de que precisam economicamente, o que transforma a tolerância do plantio de coca do governo Morales em algo justo. Porém, trabalhos antidrogas para diminuir a demanda são fúteis em termos da meta final e as pessoas ao redor do mundo que são afetadas pela cocaína e pelo tráfico ilícito também merecem um tratamento melhor. Só a legalização mundial pode deter a violência e a corrupção que caracteriza o narcotráfico ilegal. Os consumidores dependentes também tomarão mais liberdades para procurarem ajuda quando não forem considerados criminosos e terão menos chances de fazer mal a si mesmos ou aos demais nesse ínterim. Todos saem ganhando com o fim da proibição das drogas.

Permission to Reprint: This article is licensed under a modified Creative Commons Attribution license.
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