Aguilhoados por um acórdão favorável em maio permitindo a permanência do injetódromo de Vancouver, o InSite, funcionários da saúde no Quebec dizem que estão se preparando para inaugurar um injetódromo em Montreal nos próximos meses, e, no futuro, pode haver muitos mais na província.

“Há uma equipe em Montreal examinando a viabilidade e aceitabilidade de tudo isto, mas ainda não há data marcada”, disse Alain Poirier, diretor de saúde pública. “No momento, estamos vendo isso e esperamos que haja um em breve”.
O InSite de Vancouver, estabelecido enquanto projeto-piloto há cinco anos, funcionava em observância a uma isenção limitada da legislação antidroga do Canadá. Com os conservadores no controle do governo federal, o futuro do InSite era precário, mas, em maio, a Suprema Corte da Colúmbia Britânica decidiu que o InSite é uma instalação sanitária sujeita a regulação provincial – não federal – e que, portanto, ficava constitucionalmente isento da legislação antidroga federal. Esse acórdão abriu alas para que outras províncias pensem em começar instalações parecidas.
“É uma interpretação que entende os injetódromos como serviços sanitários e eles estão sob competência provincial”, disse Poirier, referindo-se ao acórdão. “Nós arcamos com os tratamentos dos (dependentes), nós arcamos com seus cuidados se contraírem HIV. Em poucas palavras, recai no arsenal de serviços preventivos”.
Porém, o governo federal conservador continua se opondo aos injetódromos. No início deste mês, anunciou que ia recorrer do parecer da Suprema corte da Colúmbia Britânica. O ministro Tony Clement da Saúde afirmou várias vezes que os injetódromos não dão certo.
“Não consideramos manter as pessoas em uma posição em que continuam consumindo as drogas ilícitas, injetando-se as drogas ilícitas o melhor resultado sanitário”, disse em maio.
O Quebec já adotou estratégias de redução de danos para combater os males da toxicomania. A província se gaba de aproximadamente 800 locais para a troca de seringas. Poirier disse que implementar injetódromos era a continuação lógica.
“Não podemos fazer isto às furtadelas sem dizermos ou anunciarmos nada”, disse Poirier. “O público tem de estar ciente de que é mais um passo. Provavelmente começaremos em Montreal, daí examinaremos a área central da Cidade de Quebec”, disse Poirier. “Não descartamos outras cidades que estão sendo escolhidas. Gostaríamos de ter injetódromos onde se justifiquem pela necessidade”.


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