Matéria: Indo atrás do guerreiro antidroga #1 do Congresso dos EUA

O deputado Mark Souder (R-IN) fez sua carreira política de ser “duro com as drogas”. Durante anos, sua defesa de leis severas como a pena para as drogas da Lei de Ensino Superior [Higher Education Act (HEA, na sigla em inglês)], seu apoio a aventuras do combate às drogas no exterior em lugares como a Colômbia e o México e sua oposição implacável a qualquer abrandamento da legislação sobre a maconha, mesmo para consumos medicinais, lhe caíram com uma luva junto a suas bases conservadoras do nordeste do Indiana – ou, pelo menos, não o impediram de ser reeleito.

A bem da verdade, nos últimos anos Souder tem mostrado alguns pequenos sinais de afastamento de seu dogmatismo no combate às drogas. Embora defendesse a disposição antidroga da HEA, esteve disposto a suavizá-la para que se aplicasse somente a estudantes pegos enquanto cursavam a universidade e recebiam ajuda financeira, embora isso tenha acontecido em parte como resposta a trabalhos de revogação categórica. E foi partidário da Lei da Segunda Chance [Second Chance Act], que supostamente ajudaria algumas das pessoas presas pelo combate às drogas que defende. No entanto, os reformadores das políticas de drogas ainda consideram Souder o capeta, ou pelo menos um demônio de marca maior.

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Mark Souder – guerreiro antidroga #1
Porém, embora até agora sua cadeira tenha estado segura, neste ano as coisas podem ser diferentes. O titular republicano não só concorre em um ano que pode muito bem presenciar uma maré crescente democrata, ele não só tem um desafiante enérgico e bem financiado em Mike Montagano, um advogado de 27 anos de idade, mas agora também faz frente a um novo comitê de ação política (PAC, na sigla em inglês) para quem o guerreiro antidroga número um é o alvo número um.

O comitê de ação política é o Schools Not Prisons PAC, dirigido por Darrell Rogers, um cara de 29 anos que afiou suas aptidões política com trabalhos como estagiário no Congresso dos EUA, voluntário na campanha de Jim Webb para o Senado dos EUA e diretor-executivo do Students for Sensible Drug Policy (SSDP, na sigla em inglês), um grupo formado em boa parte como resposta à emenda de Souder à HEA que ajudou a encabeçar a campanha atual para derrubá-la.

Daí Rogers obteve seu mestrado em governo estadunidense da Universidade Católica da América em Washington. Agora, está pronto para empregar todo esse conhecimento e experiência.

“Na verdade, o PAC começou como projeto de pós-graduação quando fazia meu mestrado”, disse. “Agora, vejo uma oportunidade real de que isto vire algo fundamentalmente sensato e sustentável que poderá causar um verdadeiro impacto em disputas seletas ao Congresso dos EUA”.

“Temos três metas”, explicou Rogers nesta semana de seu escritório nas aforas de Washington. “Queremos objetivar e derrotar congressistas que tenham expandido a reclusão ao passo que limitam as oportunidades educacionais para o pessoal com delitos de drogas. Ao mesmo tempo, queremos apoiar bons congressistas em nossas questões de respaldar as oportunidades educacionais e procurar alternativas razoáveis a nossas políticas de reclusão excessiva”, disse.

“Mas uma de nossas metas mais importantes é derrotar o guerreiro antidroga número um do Congresso dos EUA, o maior inimigo da educação e o maior fã da reclusão”, disse Rogers, aludindo, lógico, a ninguém mais, ninguém menos que Souder. “Queremos transformar o deter o título de guerreiro antidroga número um em um ônus tão grande para os deputados que evitarão cargos que possam fazê-los merecer esse título”.

É algo que há muito os reformadores das políticas de drogas anseiam ver. Os servidores eleitos não só devem entender que não sofrerão as conseqüências por apoiarem trabalhos de reforma, mas que o inverso também deve ser verdade: Os servidores eleitos devem entender que sofrerão as conseqüências por apoiarem políticas proibicionistas punitivas, prossegue o pensamento.

Até agora, isso aconteceu apenas em um número diminuto de ocasiões – a derrota do promotor Paul Clyne, o titular intransigente de Albany em Nova Iorque, para o reformador David Soares em 2004 e a derrota do então guerreiro antidroga e congressista georgiano (e agora candidato à presidência dos EUA pelo Partido Libertariano!) Bob Barr nas primárias republicadas em 2002 depois que os libertarianos fizeram uma série de anúncios televisivos que retratava sua indiferença pelo sofrimento dos pacientes consumidores de maconha medicinal.

Mark Souder seria um bom acréscimo a essa lista, disseram os ativistas de DC que foram contra ele no Capitólio. “Mark Souder é o autor e principal defensor de uma das leis mais nocivas e equivocadas sobre as drogas que este país já viu com a disposição antidroga da HEA”, disse Tom Angell, diretor de comunicação do SSDP. “É empolgante ver jovens bravos com estas políticas de drogas destrutivas contra-atacando na arena política”.

“Souder é o último dos extremistas do combate às drogas”, disse Bill Piper, diretor de negócios nacionais da Drug Policy Alliance. “Livrem-se dele e o Congresso dos EUA perde seu líder de torcida mais eloqüente em prol de políticas de drogas punitivas. Está na disputa mais dura à reeleição; é possível colocá-lo fora de combate”.

Souder se defendeu de ataques dos reformadores das políticas de drogas antes. Em 2002, um PAC que incluía vários de então integrantes do SSDP foi a seu distrito em uma tentativa de colocá-lo fora de combate nas primárias republicadas. Não deu certo, visto que Souder ganhou de seu desafiante e passou a vencer as eleições gerais na maré crescente republicada dos primeiros anos Bush.

Mas, os tempos mudaram. Embora Souder esteja ocupado em sua cruzada contra as trocas de seringas, a maconha medicinal e demais trabalhos de reforma das políticas de drogas que associa com o fedor da “legalização”, seu distrito sofre uma hemorragia de empregos e suas bases estão presas na mesma espiral inflacionária infeliz que o resto dos EUA. E a candidatura de Barack Obama, senador do estado vizinho do Illinois, energizou os eleitores democratas no 3º Distrito do Indiana, assim como pelo país afora.

Isso ficou evidente no dia das primárias. Com o crescimento do comparecimento motivado pelas primárias presidenciais democratas, Montagano conseguiu 76.356 votos, quase o dobro dos 40.000 votos que Souder obteve em sua primária. A contagem de votos nas primárias de Montagano fica a pouca distância do total de votos que o desafiante democrata Thomas Hayhurst recebeu nas eleições gerais de 2006 e indica que Montagano pode obter ainda mais em novembro.

Nas eleições de 2006, Souder levou aproximadamente 95.000 votos contra os quase 80.000 de Hayworth. Isso deu a Souder uma margem de vitória de 54% a 46%. Mas, como as fileiras dos eleitores democratas aumentam, é provável que essa margem encolha ou se inverta neste ano.

Montagano também ganha de Souder em arrecadação de fundos. A Fort Wayne Journal Gazette informou nesta semana que, de acordo com os últimos arquivos da Comissão Eleitoral Federal dos EUA, Montagano recebera $142,000 em donativos de comitês de ação política e indivíduos desde meados de abril, enquanto Souder arrecadara apenas $91,000.

Montagano também tem mais dinheiro no banco. Conforme um informe da terça-feira na Roll Call que examinava a possibilidade de uma derrota de Souder, o desafiante democrata tem $353,000 guardados em comparação com os $320,000 do titular.

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Darrell Rogers
Embora os números das pesquisas sejam poucos – a única pesquisa direta que opôs Souder a Montagano aconteceu em meados de maio, antes que Montagano ainda ganhasse a indicação, e mostravam Souder com uma vantagem de dois para um -, os observadores políticos começam a indicar que Souder pode estar vulnerável de fato. Aquela mesma pesquisa de abril mostrava a aprovação de Souder na questão dos empregos em apenas 46%. Em sua mais recente lista de disputas acirradas para a Câmara, o respeitado Relatório Cook Political modificou o 3º Distrito do Indiana da categoria “republicano certo” para “republicano provável”. Igualmente, nesta semana o artigo da Roll Call apontou que o Comitê Democrata de Campanha para o Congresso dos EUA começara a listar o 3º Distrito do Indiana como “disputa a observar”.

Para Rogers e o PAC Escolas e Prisões, tudo isto é um chamado às armas. “A arrecadação de fundos que Montagano faz, os números que temos visto nas primárias e os relatórios contínuos dos observadores eleitorais nos levam a uma verdadeira convocatória de ação”, disse Rogers. “E é um ano de eleições presidenciais com uma quantidade incrível de novos eleitores. Temos que fazer algo com isto; é uma chance que não podemos perder”.

Rogers está botando as mãos na massa. Esteve fazendo ligações em busca de doações, tanto em Washington quanto no 3º Distrito. “Mark Souder fez muitos inimigos em Washington ao longo dos anos”, disse, “então, acho que teremos algum sucesso por aqui. Também estamos contatando o pessoal do distrito em uma tentativa de equilibrar doadores e partidários”, explicou.

“Estamos trabalhando em um pacote de campanha completo e total”, disse Rogers. “Os detalhes ainda estão sendo reunidos, mas incluiremos a organização por Internet e redes de relacionamento social, a publicação de anúncios e o trabalho de incentivo ao voto em campo”.

Souder pode ser derrotado ou não em novembro e os reformadores podem fazer a diferença ou não. Mas, pelo menos, agora estão em quadra.

(Este artigo foi publicado pela ala lobista da StoptheDrugWar.org, a Drug Reform Coordination Network ou Rede Coordenadora da Reforma das Políticas de Drogas, que também compartilha os custos de manter esta página. A Fundação DRCNet não assume posturas a respeito de candidatos a cargos públicos em conformidade com a seção 501(c)(3) do Código Tributário dos EUA e não remunera matérias que possam ser interpretadas ou mal interpretadas nesse sentido.)

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