A Seção de Estudantes de Medicina (MSS, na sigla em inglês) da Associação Estadunidense de Medicina (AMA, na sigla em inglês) apoiou esmagadoramente uma resolução que insta a AMA a respaldar a reclassificação da maconha para consumo medicinal na conferência anual da AMA em Chicago no início deste mês. Agora, a resolução será submetida a uma votação final na Câmara de Delegados da AMA em sua reunião interina em novembro.
Após uma série duradoura de considerandos que detalhavam o apoio científico aos usos terapêuticos da cânabis, a MSS decidiu que estava:
- RESOLVIDO, que nossa AMA respalde a reclassificação da situação da maconha enquanto substância controlada de Classe I para uma categoria mais adequada; e que, outrossim, fique
- RESOLVIDO, que esta resolução seja remetida à Câmara de Delegados na I-08.
Com uns 50.000 integrantes, a MSS é a maior e mais influente organização de estudantes de medicina nos EUA. O outro grande grupo de estudantes de medicina do país, a Associação Estadunidense de Estudantes de Medicina (AMSA, na sigla em inglês), que se separou da AMA na época inebriante dos anos 1960 para ir atrás de uma pauta de maior ativismo social, apoiou a reclassificação da maconha em 1993 e agregou sua própria resolução de respaldo à pesquisa clínica sobre a maconha medicinal em 1999. (A AMSA afirma ter 68.000 integrantes, mas também inclui formandos em medicina.)
As duas organizações se somam a uma lista crescente de agremiações médicas em favor da maconha medicinal, entre elas o Conselho de Ação para a AIDS, a Associação de Enfermeiras do Alasca, a Academia Estadunidense de Médicos de Família, a Associação Estadunidense de Enfermeiras, a Associação Estadunidense de Medicina Preventiva, a Associação Estadunidense de Saúde Pública, a Associação de Enfermeiras em Cuidados à AIDS, a Academia Californiana de Médicos de Família, a Associação Californiana de Medicina, a Associação de Farmacêuticos da Califórnia, a Associação de Enfermeiras do Connecticut, a Cure AIDS Now, a Associação Floridense de Medicina, a Comissão AIDS da Comarca de Los Ângeles, a Fundação Linfoma dos Estados Unidos, a Sociedade Médica do Estado de Nova Iorque, a Associação Nacional por Políticas de Saúde Pública, a Associação Nacional de Pessoas com AIDS, a Sociedade Nacional de Enfermeiras em Dependências, o New England Journal of Medicine, a Sociedade Novo-Mexicana de Medicina, a Médicos pela Responsabilidade Social, a Sociedade de Medicina de São Francisco, a Sociedade Virginiana de Enfermeiras em Dependências, a Associação de Saúde Pública do Wisconsin e associações estaduais de enfermeiras na Califórnia, Colorado, Connecticut, Havaí, Illinois, Mississipi Nova Jérsei, Nova Iorque, Carolina do Norte, Texas, Virgínia e Wisconsin, de acordo com a Patients Out of Time, o grupo de conscientização e militância pró-maconha medicinal.
A adição mais recente a essa lista foi o Colégio Estadunidense de Médicos (ACP, na sigla em inglês), o qual adotou uma resolução que pedia a reclassificação da maconha e a expansão da pesquisa para sua eficácia médica em fevereiro. Com 124.000 integrantes, o ACP é o segundo maior grupo médico do país, superado somente pela AMA.
Porém, a AMA continua teimosa. Sua mais recente recomendação a respeito da maconha medicinal, adotada em 2001, pede mais estudos, mas insta que a maconha permaneça na Classe I até que saiam os resultados. A resolução aprovada pela MSS visa aguilhoar a organização adiante.
A MSS pode ter um pouco de influência, mas não pode fazer tudo sozinha, disse Sunil Aggarwal, um estudante de medicina da Universidade de Washington que defendeu a resolução em Chicago. “Se formos só a gente, perdemos”, disse. “Entre agora e novembro, vamos tentar fazer com que diferentes organizações dentro da AMA se unam a nós. Vamos atrás das sociedades estaduais de medicina em todos os estados com maconha medicinal e vamos construir alianças com grupos que são nossos aliados, como o ACP”, planejou. “Apesar de tudo, é preciso tomar cuidado. Existem certas forças que gostariam de nos esmagar, como a Sociedade Estadunidense de Medicina da Dependência. Embora seja uma organização relativamente nova, todos tendem a seguir seus juízos em matéria de dependência e toxicomania. Se disser que não, a AMA pode ficar com o pé atrás”.
Os partidários da maconha medicinal ficaram satisfeitos com a notícia. “É um passo positivo e necessário na direção certa”, disse o Dr. David Ostrow, integrante da AMA e presidente da Assessoria Médica e Científica do Americans for Safe Access (ASA, na sigla em inglês), a maior organização de militância pró-maconha medicinal dos EUA. “Temos esperanças de que o plenário da câmara de delegados seguirá o exemplo dado pelo Colégio Estadunidense de Médicos no início deste ano e votará em apoiar esta resolução, colocando assim as necessidades e segurança de nossos pacientes acima da política”.
Quer se vença esta batalha neste ano, quer não, Aggarwal e seus colegas são a onda do futuro, disse. “Agora as duas organizações que representam os estudantes de medicina nacionalmente pediram a reclassificação da maconha”, disse. “Somos os futuros médicos dos EUA. Estas são as pessoas que vão ser as lideranças da medicina estadunidense e agora apóiam oficialmente a maconha medicinal”, disse. “É um grande marco”.


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