América Latina: Câmara dos EUA aprova projeto de ajuda antidrogas ao México, mas México resiste a condições de direitos humanos do Senado

Na terça-feira, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou um plano de auxílio antidrogas estimado em $1.6 bilhão que vai durar três anos com vistas a ajudar o México e países centro-americanos a combater os poderosos cartéis do narcotráfico da região, mas agora há dúvidas quanto ao pacote depois que o governo mexicano manifestou fortes objeções a dispositivos na versão senatorial do projeto que liga a ajuda a medidas de direitos humanos. A versão do projeto ainda tem de ser aprovada no Senado.

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cartaz de Ricardo Murillo, militante pró-direitos humanos assassinado (foto de Phil Smith, editor da Crônica)
A votação aconteceu em meio a níveis crescentes de violência relacionada com a proibição no México. Umas 4.000 pessoas – inclusive mais de 450 policiais e soldados – foram mortas no combate às drogas desde que o presidente Felipe Calderón o intensificou no início do ano passado ao enviar uns 25.000 efetivos e policiais federais aos fortes dos traficantes. Os traficantes pararam de brigar entre eles para contra-atacarem as forças do governo, assassinando recentemente vários altos comandantes das polícias federal e municipal. Na semana passada em Culiacán, os traficantes emboscaram e mataram oito policiais em um dia.

O projeto de lei, aprovado pela Câmara por 311 a 106, começaria a implementar a Iniciativa Mérida, batizada com o nome da cidade mexicana em que funcionários estadunidenses e mexicanos se reuniram para elaborarem um pacote de ajuda. Conforme esse plano, as verbas estadunidenses seriam investidas em equipar e treinar as forças de segurança no México e na América Central e em melhorar os sistemas judiciais na região. O México receberia $1.1 bilhão, enquanto países centro-americanos e caribenhos seriam beneficiários de aproximadamente $400 milhões. Outros $74 milhões seriam destinados a tentar diminuir o fluxo de armas ilícitas vindas dos EUA em direção ao México.

Porém, embora o México houvesse estado ansioso por conseguir o pacote de ajuda, resiste às condições no projeto do Senado, que inclui revisões de direitos humanos, reformas judiciais e outras questões. As condições marcam uma volta à “certificação”, pela qual os EUA determinavam unilateralmente se os países estavam observando os objetivos estadunidenses em matéria de drogas, reclamou o subprocurador-geral mexicano para negócios internacionais, José Luis Santiago Vasconcelos.

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capa do jornal Ríodoce
“Por que não dizemos aos americanos que esses (recursos) sejam destinados a suas forças de intervenção ou a suas forças de aplicação da lei ou de interceptação em nossa fronteira para que parem o fluxo de armas”, disse Santiago Vasconcelos em uma entrevista de rádio citada pelo Dallas Morning News. “Ao invés de serem entregues ao México, que sejam utilizados pelos estadunidenses para reforçarem suas alfândegas, a Patrulha Fronteiriça, e impedir o tráfico de armas a nosso país, já que 97% do arsenal que o crime organizado utiliza em território nacional provêm dessa nação”.

Na semana passada, Eduardo Medina Mora, o procurador-geral mexicano, disse que o presidente Calderón aguardava a versão final do projeto para tomar uma decisão. “O Presidente da República avaliará com muito cuidado o que for aprovado finalmente e, defendendo os melhores interesses do México, tomará a decisão correta, disso devemos estar certos”, disse.

“Acho que de algum jeito ou de outro isto morreu”, disse o comentador político Ricardo Alemán ao Morning News. “Vasconcelos é um funcionário de alto escalão e conta com o apoio do governo”, disse Alemán, acrescentando que o orgulho mexicano está em jogo. “Os mexicanos são muito inflexíveis com isto”, disse. “Primeiro, você reduz o montante econômico e daí impõe condições, não é melhor você ficar com o seu dinheiro?”

No fim de semana passado, uma delegação de senadores estadunidenses viajou a Monterrey para se reunir com funcionários mexicanos em uma tentativa de apaziguar seus receios e há sinais de que vão procurar retirar o texto ofensivo do projeto senatorial.

“Ouvimos de todos aqui a mensagem comum de que este texto tem de ser mudado”, disse o senador Chris Dodd (D-CT), um dos 11 legisladores estadunidenses que assistiam à reunião de dois dias. “Nossos amigos no México precisavam desabafar e explicar como esta questão não foi bem tratada”, agregou o senador. “Qualquer coisa que saiba a certificação é uma impossibilidade”.

Agora é hora de ver se o Senado dos EUA vai sacrificar os direitos humanos mexicanos ao combate às drogas.

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