Sudoeste Asiático: Irá acusa Ocidente de ignorar ópio afegão e fuzileiros navais estadunidenses respaldam Teerã convenientemente

Na quarta-feira, o Irã acusou os EUA e a OTAN de indiferença em relação ao tráfico próspero de ópio do Afeganistão e convocou o Ocidente a ajudar a combater o contrabando de ópio e heroína através da fronteira que os dois países compartilham. Um dia antes, um artigo da Associated Press sobre fuzileiros navais estadunidenses recém-dispersados à província de Helmand no Afeganistão ajudou a respaldar o Irã.

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os artigos do traficante de ópio (foto de Phil Smith, editor da Crônica, durante sua visita de setembro de 2005 ao Afeganistão)
Nele, alguns dos 2.000 integrantes da 24ª Unidade Expedicionária Marinha, recém-chegada a Helmand, a região que mais produz ópio no mundo e um viveiro de insurgência talibã, explicaram que estavam ignorando a papoula porque temiam alienar os habitantes locais que dependiam do tráfico para se sustentarem.

“É meio estranho. Viemos para cá para combater o Talibã. Vemos isto. Sabemos que a situação está preta. Mas, ao mesmo tempo, sabemos que é o único jeito pelo qual os moradores locais podem ganhar dinheiro”, disse o 1º tenente Adam Lynch, 27, de Barnstable no Massachusetts.

O segundo tenente Mark Greenlief, 24, um nativo de Monmouth no Illinois que comanda a 2º pelotão, disse que, a princípio, queria fazer uma zona de aterrissagem para helicópteros na plantação de um lavrador local. “Mas, como se pode ver, isso arruinaria a plantação de papoulas e não queremos arruinar o sustento dele.

O pelotão do sargento Jeremy Stover está alojado ao lado de um cultivo de papoulas plantado no pátio interno de um recinto emparedado com barro. A missão dos fuzileiros navais é se livrar dos “bandidos” e “os moradores locais não são os bandidos”, disse. “As plantações de papoula no Afeganistão são os milharais do Ohio”, disse Stover, 28 de Marion no Ohio. “Quando chegamos aqui, nos perguntavam se podiam colher a papoula e dissemos: ‘Sim, só não vão usar uma AK-47’”.

O tenente-coronel Anthony Henderson, comandante de batalhão, disse à AP que seus efetivos não podem se concentrar na papoula quando o Talibã está “botando terror no pessoal”. O fundamental primeiro é derrotar o Talibã, disse. “Acho que, ao nos concentrarmos no Talibã, as papoulas vão desaparecer”, disse.

Mas, os fuzileiros navais e o resto dos 30.000 efetivos estadunidenses e 20.000 da OTAN no Afeganistão estão em meio a uma terrível contradição: Se forem atrás do ópio, correm o risco de conduzir a população aos braços pacientes do Talibã. Se não forem atrás do ópio, o Talibã ganha até $100 milhões ao ano com sua parte do tráfico, que são investidos para comprar mais armas para combater os EUA, a OTAN e o governo afegão.

Ignorar a papoula – o ópio afegão responde por 93% da oferta mundial, de acordo com as Nações Unidas – não pega bem com o Irã, que, segundo consta, tem o índice mais alto de dependência dos opiáceos do mundo. “O crescimento explosivo no cultivo da papoula... no Afeganistão no ano passado tem criado muitos problemas... especialmente para o Irã”, disse Ismail Ahmadi Moghaddam, secretário da sede de fiscalização das drogas do Irã, um dia depois que apareceu a matéria da AP.

“Achamos que a OTAN e as forças estrangeiras no Afeganistão são indiferentes à questão das drogas e deram prioridade a outras metas”, disse Ahmadi Moghaddam em uma conferência de funcionários do Paquistão, Afeganistão e do Escritório da ONU contra as Drogas e o Crime. “Desde a época em que entraram (no Afeganistão), presenciamos um aumento explosivo na produção de drogas”, disse.

O Irã gasta $600 milhões ao ano para impedir que as drogas afegãs entrem no país e seria bem-vinda a ajuda do Ocidente, que evidentemente está ignorando o problema, reclamou. “O Irã exige a cooperação séria e prática da comunidade internacional, especialmente dos países europeus, como principal destino para os contrabandistas, na luta contra o narcotráfico”.

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