David Borden, diretor-executivo

No sul, um tribunal na Colômbia lidou com perpetradores de um incidente particularmente preocupante de corrupção no governo em um escalão que espero nunca ver por aqui. Em maio de 2006, decidiu um juiz, um coronel do Exército e 14 de seus efetivos massacraram 10 agentes antidrogas colombianos, emboscando-os nas redondezas da cidade de Cali enquanto se preparavam para apreender 100 quilogramas de cocaína aos quais haviam sido apontados (correta ou equivocadamente) por um informante. É possível que o México tenha feito coisa pior agora. Em 2006 e 2007, aproximadamente 4.000 pessoas foram assassinadas na violência do tráfico de drogas e policiais estão entre os muitos suspeitos. Embora a corrupção policial e a violência do tráfico certamente tenham deixado seu saldo em nosso país aqui no norte, não devemos descartar a possibilidade de que as coisas podem piorar ainda mais de jeito nenhum.
Assim, o governo estadunidense deveria aprender uma lição com a experiência da Colômbia, tanto para o seu bem quanto para o nosso. A Colômbia está travando um combate às drogas da maneira que o faz, em parte porque foi forçada a isso por pressão da diplomacia estadunidense. Em um número considerável, os peritos em Colômbia compreendem que é a proibição que causa a violência do tráfico e que a Colômbia estaria melhor com alguma forma de legalização das drogas – Esse entendimento pode não chegar a um consenso total, mas se sustenta mesmo assim. Muitos legisladores estadunidenses também o compreendem em privado, porém, tanto por razões políticas quanto ideológicas, não só se recusam a lidar com isso, mas, em muitos casos, continuam pressionando ativamente outros países a trilharem o caminho errado.
A situação é injusta e deveria ser mudada. A Colômbia não merece ser despedaçada por políticas de drogas falhas que não inventou e são nossos consumidores por aqui que compram a maior parte do produto dela em todo caso e, portanto, possibilitam tudo isso. Há opções viáveis para reduzir os danos de substâncias que não envolvem a proibição e que, destarte, não ocasionam a violência do tráfico nem a corrupção nem colocam os dependentes no inferno que todos nós temos visto e podem dar certo de verdade. Só porque falamos em legalizar as drogas, isso não quer dizer que não vamos oferecer tratamento, que o dependente não se organizará para obter auto-ajuda, que não poderemos tentar desencorajar o consumo de drogas ou realizar a redução de danos para aqueles que não dão ouvidos. É difícil saber qual é exatamente o melhor sistema de regulação ou conjunto de programas e todos os cenários têm seus prós e contras. Mas, todos têm em comum que são preferíveis à proibição para quase toda medida importante que possa ser elaborada.
As vítimas das leis sobre as drogas – na Colômbia, nos EUA, em todo lugar – não merecem o que lhes está sendo feito. Já que, em sua maioria, nossos políticos têm medo demais de falar disto, logo arrazoar é conosco. Pouco a pouco, o público vai ouvir nossas idéias e, afinal, passar para o nosso lado. É só uma questão infeliz de saber quantas vidas são arruinadas nesse ínterim.


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