Ah, as conseqüências imprevistas – se não imprevisíveis – da proibição. No domingo, o Cleveland Plain Dealer informou que na esteira de uma ofensiva contra os clubes de striptease e o fumo nos bares, uma nova presença misteriosa deu as caras nas ruas secundárias da cidade: o fumódromo. Estas dependências sem alvará oferecem o que os clubes e bares legais não podem: um lugar para que bebedores sociais fumem enquanto tomam e vêem dançarinas exóticas depois da meia-noite. Os agentes de combate ao vício dizem que também proporcionam um lugar seguro para a prostituição.
Os fumódromos são uma resposta a leis que entraram em vigor no ano passado proibindo o fumo em lugares públicos e dançar nu depois da meia-noite.
Um detetive do esquadrão antivício de Cleveland, Tom Shoulders, comparou os fumódromos com as casas de gim da época da Lei Seca. “Se impuserem restrições demais sobre as pessoas, elas vão encontrar outro lugar para procurarem o entretenimento delas”, disse.
De acordo com o que os cagüetes dizem aos policiais, os clientes dos fumódromos, principalmente caras brancos dos subúrbios, trazem seu próprio licor, cigarros e charutos, enquanto que os porteiros nos clubes cobram entradas de até $25 por um “bufê”.
“Tiveram sucesso em criar este negócio clandestino e sórdido que tramita apenas em espécie e não pode ser nem regularizado nem taxado nem protegido pela polícia”, disse Skip Lazzaro, um advogado que representa danceterias legais na Justiça – apesar de que não se saiba se ele deveria estar se referindo aos proprietários e clientes ou à legislatura.
Embora a combinação de dançarinas exóticas fora de hora e o fumo clandestino seja uma nova reviravolta, o fumódromo clandestino não o é. Na verdade, os fumódromos clandestinos, ou clubes que permitem o fumo a coberto a despeito das leis que o proíbem, parecem surgir em todo lugar em que as proibições do fumo aparecem. É possível encontrá-los de Nova Iorque a São Francisco e em muitos lugares intermediários... se tão-só se souber a quem perguntar.


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